sábado, 7 de março de 2009

ONDE TODAS AS SEMANAS SÃO SANTAS


Morar fora de Alvinópolis é como viver no exílio.

Sinto como se vivesse num país estranho, onde os costumes, os volumes, as amizades, os sotaques são estranhos, por mais semelhantes que pareçam.
 

Não conhecemos as famílias de cicrano, as manias de beltrano, nada sabemos.
 

Muitas vezes nos sentamos nos ônibus ao lado de um estuprador, de um pedófilo, de um extraterrestre, de um muçulmano.
 

Vivemos em casas onde muitos já viveram, dormimos em quartos em que muitos já morreram, se amaram, sei lá mais o que fizeram.


Como dói a saudade da aldeia.
 

Muitas vezes somos exilados de nós mesmos, perdemos a utilidade, queremos voar mais alto, como num vôo de Ícaro contemporâneo, tendo as asas coladas com chicletes.
 

Quem dera pudéssemos pousar novamente, suavemente em grande estilo, mas o campo de aviação encontra-se cheio de lixo, não se presta ao pouso de anjos, mas de urubus e outras aves de mau agouro.
 

Pelo menos há alívio quando temos indultos para voltar ao paraíso.


O mesmo relevo, o mesmo clima, as mesmas ruas. 
 

Algumas mudanças ocorreram, sumiram alguns campinhos de futebol, o asilo subiu pro monte, o rio antigo tá menos caudaloso, mas em compensação temos um rio de shampoo desaguando no país inteiro, os bambas do Gaspar ficaram bambos com a quase morte do Alvinopolense e o folião que abandonou a marinha, tava até pensando em voltar pro mar...mas eis que o carnaval retomou seu vigor e o que estava bambo se firmou e o que era “ Adeus” virou "até breve".

 

Ê Alvinópolis véia de guerra. 
 

A vida da gente é um filme, mas não somos nós que escrevemos os roteiros.


Não sabemos onde estaremos amanhã, mas sabemos que o cordão umbilical tá enterrado aí, feito de material mais resistente que o mais resistente dos aços.
 

E agora, ficamos todos nós exilados esperando a semana santa, pra voltar pra terra onde são santas todas as semanas.

4 comentários:

BIGORNA disse...

Olá Marcos, fiquei feliz com seu elogio. Nunca postei em seu blog porque, embora seja de Monlevade, nunca fui a Alvinópolis. Uma vergonha! Mas em breve conhecerei sua cidade.

Quanto ao Thiago, o Prandini errou feio em respondê-lo. Se nenhum outro órgão da imprensa deu credibilidade ao que o menino falou, por que ele deu? A assessoria de impresa também pisou na bola nessa.

Já no meu caso, por algum motivo, adoro apontar as falhas do raciocínio dele. Acabo me divertindo. Mas vou tentar me conter.

Um abraço e obrigado.

gomesalvinopolense disse...

Parabéns Marcos,
Excelente o comentário,e as Sugestões para que todas as semanas de Alvinopolis,sejam Santas.Pelo que acompanhei pela internet, a semana do carnaval já foi salva...Vamos trabalhar para as demais....

Vanderhugo disse...

Mesmo não escolhendo o roteiro, a vida da gente é o filme mais rico que há. Ponto para nós, que temos Alvinópolis como cenário inicial da trajetória...

ah, e quanto a "Quem quer ser um milionário", você tem razão: aquela dança do finalzinho poderia ter sido evitada. Mas, desconsiderei, por achar esse deslize irrelevante para o desfecho final...

Abraço

Forte disse...

Meu amigo gente boa demais, Marcos Martino, realmente você traçou um perfil de que é as nossas vidas fora de nossa querida Alvinópolis. Gostei também da "visão e viagem" de pensamento retratando a bonita rua de cima com seus belíssimos conjuntos arquitetônicos. Várias vezes ao ouvir a sua música Interior, chego a me emocionar e me remeto a minha infância e adolescência vividas nesta que é a cidade mais linda do mundo(Alvinópolis). Como é bom ser alvinopolense. Um abraço de seu amigo Chicão de Dona Eide.