domingo, 1 de março de 2009

NÃO SE FAZ MAIS QUARESMAS COMO ANTIGAMENTE


Não gosto muito do discurso do “antigamente era melhor”, mas não  se faz mais quaresmas como antigamente.

 

Ainda mais que tinha alguns parentes que eram mestres na arte de contar casos de assombração.

 

Me lembro de estarmos sentados na cozinha da Dona Zita de tio Caitanim e ela contava  casos do além com tamanha dramaticidade que a gente arrepiava dos pés à cabeça.

 

Havia um grande repertório de casos, como do homem de chifres, da mulher do algodão, do monstro de bambu do campinho da rua de cima, do caixão da Cia, dos fantasmas da Prefeitura velha, além de Paulo Moreira em seu cavalo de fogo, dos sacis pererés, lobisomens e outras feras do imaginário popular.

 

Mas a história que mais me arrepiava era da procissão dos mortos, em que várias pessoas que foram enterradas no cemitério saiam em noite de lua cheia, cada uma carregando um ossinho e cantando músicas do além.

 

Todos os dias em minhas orações na hora de dormir, pedia a Deus pra não acordar de madrugada, pra não ouvir a música macabra dos defuntos.

 

O fato de morar perto do cemitério aumentava o meu pavor. 

 

Até quando  rapaz, ao retornar dos bailes e horas dançantes, passava no largo do chiquito assoviando e tomando o cuidado de não olhar pra cima, com medo de ver alguma alma do além.

 

Tinha medo de olhar principalmente para a cruz que fica próxima a igrejinha construída pelos escravos.

 

Aquela cruz estava sempre enfeitada com algum tipo de tecido, que com o tempo ia se desfazendo em trapos e quando o vento batia, balançava os panos velhos e dava uma aparência fantasmagórica.

 

Nos tempos atuais, importaram um tal de Ralouin (haloween) que se faz em um dia em outubro, mas quem é o tal de Ralouin pra disputar com as quaresmas que duravam quarenta dias. 

 

Pena que não se faz mais assombrações como antigamente.

 

Assombração de hoje é a crise...

5 comentários:

cidazita disse...

QUE TUUUDDOOOO...PRIMO.
BATEU SAUDADE.
Realmente,ela tinha o dom da dramatização,rss.

ADÃO MAXMO TRINDADE disse...

oi, Marcos

parabens pela recordação desse causos..Até hoje ainda ronda em minha memoria estas recordações. Hje tenho 2 filhos e não deixo de contar para eles sobre estas situações casuais de nossa terra..
saudaões fraternas.

obs. estou preparando um blog.em breve enviarei uma notificação para vc comentar nele.

Carol Cabral disse...

Olá Marcos!!

Nossa com certeza as quaresmas não são mais as mesmas..,
Tenho saudades dos jejuns da sexta feira da paixão em que, roubavamos bolinhos de bacalhau da vó..Rsrsrs
De rezar os 33 credos com a familia reunida no café da manha extremamente cansados da "noitada"anterior..

E claro acompanhar a procissão de enterro que percorria quase a cidade inteira..

Sou católica praticante, mas até mesmo a intensidade da devoção não é mais a mesma..


Que saudade!!

Danilo de Abreu Lima disse...

marcos,
tomei conhecimento do seu blog visitando o da ana... e seus casos de assombrações me divertiram... ape3sar de sermos de gera~ções diferentes, também conheço todas essas estórias antigas, minha mãe mesmo contava, esss e outras, de cavaleiros fantasmas, de chuvas que destruiam quintais(dizia ela que eram fantasmas), essa da aprocissão dos mortos e da missa dos mortos na igreja matriz, onde todos ficavam de costdas, a da mulher pregada, a mulher comprida, são tantas e tantas que já nem me recordo mais de todas...
hoje as pessoas trocam os dias pelas noites, nestas festas compridas e complicadas, onde os fantasmas são outros, muito piores e muito mais fatais... Mas as lembranças são boas, embora também nao cultive o passado... e gostei demais do seu estilo de escrita... é fluente e gostoso de se ler...
abraços de brasilia- Danilo de Abreu Lima ( vc. se lembra de quem eu sou?)

Marcos Martino disse...

Danilo, claro que me lembro de você. Tive a oportunidade de ler alguns contos seus. Seu comentário me enche de orgulho e faz valer a pena esse negócio de blogar. Grande abraço