quinta-feira, 9 de julho de 2009

UM PADRE PRA LÁ DE BENTO.

Alvinópolis teve Padres muito importantes.

Teve o Padre José Marciano, que tem até nome de rua.

Teve o Padre Jairo, de grande cultura, afeito ao teatro e a música.

Teve o Padre João Bosco, que dá nome a charmosa pracinha da matriz e que nos deixou em desastre fatal.

Teve o Padre Olavo, popularmente conhecido como Padre Olau, que gerou muita polêmica em sua época.

Mas para mim, o mais marcante de todos foi o Padre Bento.

Mais marcante não só por ter sido o pároco de minha juventude, mas por algumas características especiais.

Primeiro por sua história de vida.

Antes de se ordenar Padre, envolveu-se com todos os tipos de pecados, com bebida, com mulheres, até tornar-se mendigo, andarilho sem destino.

Mas depois de conhecer o inferno da miséria humana, Joaquim reergueu-se e formou-se Padre, dando um exemplo muito importante para uma geração inteira, de que sempre existe esperança, mesmo nas situações mais difíceis.

Mas Padre Bento ou Padre Joaquim tornou-se um Padre diferente.

Tinha atitudes que fugiam do comportamento austero da maioria dos padres.

Lembro-me de suas missas musicadas, de sua alegria contagiante.

Gostava de usar a linguagem de juventude em seus sermões e sempre convidava o “Verde Terra” para tocar nos eventos da igreja, o que muito nos alegrava também.

As procissões na sua época também eram maravilhosas, bem como as festas do Rosário.

Outra característica interessante é que gostava de freqüentar a vida social da cidade, ia a bailes, dançava com as moças, o que por um lado escandalizava um pouco os mais tradicionais, mas por outro lado, humanizava, aproximava Joaquim dos irmãos.

Jamais me esquecerei da primeira vez em que o Verde Terra se apresentou fora de Alvinópolis e o Padre praticamente patrocinou nossa viagem do próprio bolso, nos dando grande incentivo e um crédito de confiança do qual jamais nos esquecemos.

Depois, em trabalhos escolares, ainda tive o prazer de entrevistá-lo algumas vezes, pois sempre inventava um jeito de ouvir suas opiniões que misturavam religiosidade com filosofia, tudo de um jeito próprio, com a visão de quem conhece as coisas da vida e os mistérios da fé.

Padre Bento terminou os seus dias terrenos em pleno exercício de profissão.

Lembro-me de suas últimas missas, quando já debilitado pela doença, tinha apenas um fio de voz, mas buscava forças no fundo da alma para cumprir sua missão na terra, de espalhar o bem, de quebrar determinados moldes que nos engessavam num tempo passado, levantando a sociedade alvinopolense um passo adiante.

(Obs: Escrevi este texto à partir do meu particular ponto de vista, mas será interessante que alguém que conhece mais profundamente a história desses padres, escreva para nos elucidar mais à respeito).


3 comentários:

Patricia Loures disse...

Marcos, Adorei a linda lembrança de Padre Bento. Me trouxe as lembranças as vezes em que participei das coroações a Nossa Senhora na Matriz. Em uma dessas vezes, Eu e Elisa de Lauro, colocamos juntas a coroa em Nossa Senhora, tanto tremiamos quanto riamos(riso incontrolável, de nervoso, sem explicação). O que aliviou nesse dia foi Padre Bento, assistindo em frente ao altar e de costa para as pessoas, ele não aguentou, começou a rir tbem, sem controle. Saudades de Padre Bento.

Marcos Martino disse...

Meus agradecimentos ao Mauro Sérvulo, que vem me suprindo de fotos que ajudam a ilustrar as histórias. Mauro é detentor das melhores imagens de Alvinópolis há muitos anos. Seus olhos capturaram nossas melhores imagens.

anamineira disse...

Bom dia!
Bom lembrar Padre Bento.
Ele fez meu casamento. Vale lembrar que foi na minha casa e numa quinta feira. Marquinhos era muito amigo dele e ele só realizou o casamento por causa dessa amizade. Casamento era feito só na igreja e Marquinhos disse pra ele que se não fosse em casa ele não casaria. Botou Padre Bento na parede. Como eram amigos!
Na hora do casório, Marcos e eu ficamos tão emocionados que Padre Bento parava todoa hora para dar uma benção para parar a choradeira.
E essa lembrança guardo com carinho no meu coração.
Muito bacana seu texto.
Abraços,