terça-feira, 11 de agosto de 2009

CAMINHANDO PELAS RUAS DO FUTURO...


Da ultima vez que estive em Alvinópolis,tive a mágica oportunidade de caminhar sozinho pelas ruas da cidade.

Foi de madrugada, sem uma alma viva nas ruas, tendo a companhia dos fantasmas, gatos e cachorros vagabundos, sempre com a sensação de que Walter Galhardo estaria escondido atrás de um poste e que iria sacar de um revólver imaginário e me trucidar ali, no meio da rua.

Caminhando pelo monte,vi a praça da baixada envolta em neblina, não tão espessa como nos anos de minha juventude.

Descendo, cheguei à rua principal e continuei caminhando.

Passei em frente ao antes glorioso Alvinopolense de Tuôla, ao Ninho da Águia que também já dormia, até chegar à praça Bias Fortes, onde me sentei um pouco no banquinho.

Lembrei-me que na época em que comecei a sair de casa. Acontecia ali o movimento noturno da cidade. Os casais de namorados e os ainda não enamorados caminhavam circulando a praça. Os olhos das meninas faiscavam quando se encontravam com os dos rapazes pretendidos.

Depois, essa inocente caminhada romântica foi se transferindo para a praça São Sebastião, que acabou virando o ponto de encontro da cidade.

Levantei-me do banco da praça e fui em direção ao hospital.

Ali sim acontecia algum movimento, de uma pessoa que chegava enlouquecida com cólica de rim.

Continuei minha caminhada vagarosa e comecei a me despreender do passado e a reparar o quanto a arquitetura da cidade havia mudado.

Alguns prédios ainda mantinham o diálogo com a Alvinópolis de outrora, mas no geral, havia muitos edifícios, muitas vitrines, andares, olhares novos.

Subindo ainda mais em direção à casa da minha família, percebi que havia sinais de prosperidade na nova configuração da cidade. As pessoas haviam investido em suas casas e estavam melhorando de vida.

(As vias urbanas é que há anos merecem mais cuidados, problema sempre adiado pelos políticos da vez).

Reparando um pouco mais, percebi os mesmos sinais em outras casas, em outras ruas, na ruas novas que nasceram no Souza, nos bairros novos que praticamente uniram o monte à vila Manoel Puig e também à rua de cima, nas cercanias do cemitério.

Alvinópolis cresceu e muito. Duvido que tenhamos apenas 17.000 habitantes, como nos últimos censos.

Agora...recordar é viver...mas também é morrer.

Para nós que viemos de outro tempo, machuca um pouco quando vemos que algumas paisagens da nossa infância só existem na lembrança.

Saudades do campinho da rua de cima, do pinga rato, dos caminhos do monte onde costumávamos brincar, dos velhos casarões e até o frio de doer os ossos que fazia no mês de julho.

Mas a vida acontece é aqui e agora.

Abomino o discurso do “Antigamente é que era bom” e ainda pretendo caminhar muitas vezes pelas ruas desertas...não apenas pelas ruas do passado,mas pelas largas avenidas do futuro...

2 comentários:

Junin Magela disse...

Martino, muito legal o artigo.
Também passeei esse final de semana por Alvi, de noite, rodando pelos bairros e tentando relembrar as grandes diferenças.
No poema "Romance em Alvinópolis", do Osvaldo André, coloquei algumas fotos que mostram um pouco dessa mudança.
A principal é a da rua de cima, com uma foto do Mauro e outra minha mais recente. Deu essa impressão que você escreveu.
Como tudo mudou rápido.
Mas agora é valorizar as mudanças e facilidades da vida moderna, em detrimento dos novos problemas causados por elas.
Grande abraço.

Anônimo disse...

Olha,gostaria muito de conhecer essas ruas dessa cidade..um sonho que um dia vou realizar.Sou do MT.