sábado, 31 de outubro de 2009

JUVENTUDE ACOMODADA

Vez por outra leio algum artigo ou ouço comentários de que a juventude perdeu a capacidade de se indignar com as injustiças do mundo, com a corrupção, com os desmandos do poder. Realmente, na época da ditadura por exemplo, os movimentos jovens, principalmente que vinham das universidades, foram combativos e havia mais disposição para a luta e para a consciência política. Depois, na época das DIRETAS JÁ, a mobilização dos caras pintadas também foi marcante. Nas décadas de 80/90 parece que acabaram os motivos para indignações e mobilizações. Engraçado que uma música do ULTRAJE A RIGOR foi emblemática nesse sentido, a famosa "REBELDE SEM CAUSA". Será que juventude de hoje não tem mais motivos para se rebelar ou se encontra anestesiada, hipnotizada pela comunicação de massa, pela tv, pela Internet? Quando a gente observa por exemplo as letras das bandas de rock, não se vê mais nenhuma perspectiva de revoluções, de tentativas de se fazer algo novo. Só vemos letras falando de amores adolestentes (EMO). Nada dos "Bichos Escrotos" dos Titás, ou do "Que país é esse" do Legião.

domingo, 25 de outubro de 2009

GALO INDIO ME TELEFONOU


O prefeito Galo Indio, vez por outra me telefona. Desta vez me ligou para conversar sobre várias coisas boas que estão por vir. Voltou a me falar que neste ano, realmente está tendo muita dificuldade para ajustar o orçamento. Primeiro, por causa das perdas do inicio do ano, em decorrência da crise financeira internacional e em segundo, pelo fato do orçamento ser do antecessor. Galo Indio aproveitou para pontuar a minha postagem anterior sobre o efeito tartaruga. Me disse que a tendência agora é acelerar. Me falou que está trabalhando para desembolar a questão do ginásio inconcluso. Se for retomar, já lhe aconselho a repensar o projeto. O ideal é que seja um espaço multiuso, onde possa haver espetáculos de música, teatro e video. É vital que seja feito um projeto acústico, senão o som fica péssimo. Vejam o exemplo do salão paroquial. Belíssimo espaço. Porém a acústica deixa muito a desejar. Não sei se estou falando bobagem, mas telhado de zinco ou de metal é incompatível com som. O metal vibra e provoca uma reverberação que embola todo o som ambiente. Mas temos de considerar também que tratamento acústico não é barato. Então, imagino que na hora de construir o salão paroquial, deve ter sido considerado em primeiro lugar o custo, ficando a acústica para um segundo momento. Mas voltando ao telefonema do Galo Indio, ele ainda me falou sobre a questão da cultura, sobre os conflitos existentes entre os grupos que movimentam a cultura local e sobre a delicadeza de se conduzir a questão sem desagradar ninguém, já que tem pessoas de alto nível dos dois lados. Mas me prometeu que vai resolver a questão nos próximos dias. Ainda me deu uma excelente noticia, que não posso revelar por enquanto pra não atrapalhar uma negociação que está em andamento, mas que será excelente para a cultura local. Galo Indio me falou ainda sobre verbas que vem pleiteando desde o inicio do ano e que só deverão sair à partir do ano que vem, para tratamento de esgotos em importantes vias públicas da cidade de Alvinópolis e dos distritos. Me falou ainda de outro projeto que será da mudança da iluminação pública, que acontecerá em breve, com uma iluminação de primeiro mundo. Conversamos ainda sobre política, sobre os jornalistas que vem movendo sistemáticas campanhas contra ele na midia regional, cujas fontes já são conhecidas, enfim. Eu falei pra ele que precisam acelerar a questão da comunicação da cidade. Falei pra ele sobre o jornal que falaram que iria ser lançado, mas estava demorando demais. Sobre a cultura, que precisava mesmo ser definida pra ontem. No ano que vem, por exemplo, teremos o Festival 30 anos, que merecerá uma atenção especial. Precisamos formar uma comissão de alto nível pra já. Sobre a expectativa criada sobre a administração dele, por ser jovem, pressupõe agilidade, rapidez, modernidade, arrojo. Pois é, Galo Indio. A cor verde inspira "esperança". Se todas essas coisas se realizarem, será muito bom pra cidade. Porém, deve saber que uma vez realizadas, novas metas já deverão figurar no horizonte. É como ele me falou. Apareceu uma pessoa dizendo que ele não fez nenhuma festa na administração dele. Ele num segundo lembrou a pessoa ter feito o melhor carnaval dos últimos anos, a festa de aniversário da cidade, a festa da chita e um excelente festival de música. Mas é que a memória do povo é curta. No fundo, as pessoas durante a gestão, não querem saber do que foi feito, mas do que está sendo e do que será feito. Na hora da eleição mesmo é que será feita a famosa prestação de contas do mandato. Aí, será o momento de chamar pela memória, de reviver junto com o povo tudo que foi feito de bom ou de ruim. Ai, meus amigos, se a balança pender para o segundo lado, não há marketing político que resolva.

domingo, 18 de outubro de 2009

O EFEITO TARTARUGA

Não sei qual a razão, mas parece que o relógio de Alvinópolis anda muito mais devagar que nos outros lugares. Muitos podem até considerar essa característica como uma virtude que só tem as cidades do interior, onde as pessoas fazem tudo com calma, sem stress, sem correria. Não sei, mas acho que esse argumento acaba sendo uma desculpa para uma tendência à acomodação, à inércia, a dizermos que “ aqui é assim mesmo”, que não vale à pena esquentar a cabeça. Pode até ser. Nós que saímos de Alvinópolis, adentramos mesmo em comunidades onde a agilidade, onde o trabalho contínuo e eficiente é imperativo e causa do progresso dessas cidades. Por isso, temos dificuldades em entender a falta de pressa, a lentidão do nosso município. Conheço Alvinopolenses que moram fora, que acham que tem de ser assim mesmo, que Alvinópolis tem de ser uma espécie de cidade presépio ( quando ouço esse termo só me lembro de Rio Doce), uma cidade museu, escondida no meio da cadeia de montanhas, onde o progresso não chega, onde o povo é religioso, pacato e feliz. Aliás, algumas pessoas chegam a incomodar-se com o progresso, com pequenos sinais de crescimento, como as ruas que avançam pelas colinas, como as indústrias e empresas que se instalam, como tudo que agrida sua Alvinópolis idealizada da infância. Nós Alvinopolenses que estamos fora, muitas vezes somos mal interpretados em nossas visões. Muitos dizem que é muito fácil falarmos as coisas, já que não estamos em loco, vivenciando os problemas. Digo que é o contrário. Exatamente por estarmos fora é que temos condições de enxergar melhor. Também gostamos da tranqüilidade, do relevo, da cultura, de tudo que diz respeito à nossa cidade, mas um pouco de dinamismo não faz mal nenhum, muito pelo contrário. Por exemplo, nossa cidade vem sendo bombardeada na mídia regional por noticias sempre denegrindo a imagem do município. Por razões políticas que desconhecemos, um colunista que escreve para vários jornais vem movendo sistemática campanha contra a cidade. Nós não temos nenhuma mídia de combate capaz de difundir nossas noticias e de trabalhar a imagem da cidade de forma digna, de forma a valorizar as nossas coisas. Há alguns meses me foi dito que seria lançado um jornal na cidade e fiquei muito feliz com a notícia. Há alguns dias estive em Alvinópolis com o pessoal que estava fazendo o jornal e fiquei mais feliz ainda. Mas o danado do jornal não sai. O efeito tartaruga parece acometer a tudo que se faz em nossa terra. Outra coisa que não anda é o entendimento sobre a cultura em nosso município. Desde a época do festival, existe um impasse com relação à Fundação Casa de Cultura, com relação a quem será o novo presidente, já que a Mariângela era a presidente na gestão passada. Só que com a nova coalisão política, fazia-se mister eleger novo presidente. Inicialmente houve uma reunião, onde informalmente foi indicado o Ronilson Bada. Só que tudo que é feito de forma informal, sem quorum suficiente, acaba não tendo valor legal. Algumas iniciativas isoladas começaram a ser tomadas sem a anuência do presidente e não havia consenso sobre comando. Ronilson não se sentiu confortável com a situação e não poderia ser diferente. Concluiu-se então que por existirem claras divisões políticas entre os grupos que apóiam o prefeito, deveria ser encontrado um nome neutro, capaz de unir ou de pelo menos não causar essa cisão. O prefeito concordou e prometeu tomar uma atitude à respeito, mas o efeito tartaruga tratou de agir de novo e as coisas vão se arrastando, não se resolvem e a cultura acaba paralisada, na inércia. Esses foram exemplos práticos, mas o efeito tartaruga se faz presente em vários outros setores da cidade. Por exemplo, dizem que aquela obra do ginásio não concluído não pode prosseguir por causa de um processo na justiça. É o efeito tartaruga na justiça. Aliás, dizem que o nosso parque de exposições, antes considerado um dos melhores da região, está fechado porque precisa de reformas para oferecer mais conforto para as pessoas. Não dá pra acreditar que um espaço tão grandioso possa ficar subutilizado assim. Melhor então transformarem num novo cemitério, já que os vivos não se interessam, quem sabe os mortos, né? Enquanto isso, o efeito tartaruga está agindo, enferrujando os metais, carcomendo toda a estrutura, fora o que é roubado ou depredado pelos vândalos. Acho até que o efeito tartaruga atinge outras áreas da cidade, mas vou deixar para a imaginação de vocês. Pensem onde é que o efeito tartaruga anda agindo no município e enviem seus comentários para o blog.

terça-feira, 13 de outubro de 2009

UMA VIAGEM NO TEMPO – ALVINÓPOLIS – ANO 2035



Estamos no ano de 2035 e as coisas estão bastante mudadas por aqui. Alvinópolis tem hoje 70.000 habitantes e o nível de vida é excelente. A cidade experimentou grande progresso por causa da ação de uma leva de prefeitos que arregaçaram as mangas e buscaram novas perspectivas de desenvolvimento. Em primeiro lugar, esses prefeitos trataram de demolir as velhas práticas políticas, que atrasaram a cidade por várias décadas. Em segundo lugar, dinamizaram a área do desenvolvimento econômico, investindo nos distritos industriais, priorizando empresas limpas, que não trouxessem desequilíbrios ambientais, em terceiro lugar, fizeram grande divulgação na tentativa de atrair empresas voltadas para a tecnologia. A iniciativa surtiu efeito e aos poucos o distrito começou a receber pequenas empresas, que foram se desenvolvendo e se tornando competitivas, gerando outras coisas positivas, como uma faculdade também voltada para a tecnologia e a conseqüente melhoria do nível geral.

Também investiram na agropecuária, dando condições para que nossos homens do campo pudessem fazer de nosso município um dos maiores fornecedores de produtos alimentícios para o estado de Minas Gerais. A iniciativa, gerou mais recursos para que a prefeitura pudesse se modernizar e investir em várias áreas. Outra coisa positiva foi a descentralização administrativa, com subprefeituras instaladas em todos os cantos do município, que por sinal tem um enorme território. Com isso, todos os distritos se desenvolveram significativamente.

Mas não foi só isso. Também houve investimento em lazer, paisagismo e meio ambiente. A cidade conta com 3 parques naturais, sendo um onde antigamente havia uma pedreira, com cascata e várias piscinas, outro na área do mirante do campo de aviação e o terceiro na região de Fonseca, um dos mais importantes parques paleontológicos da América do Sul.

A área do parque de exposições foi totalmente remodelada, abrigando um ginásio multiuso, onde muitos anos antes havia um ginásio fantasma. Foram construídas também uma arquibancada e uma infra-estrutura de primeiro mundo. Porém, as exposições que aconteciam ali não eram mais apenas agropecuárias. Aconteciam feiras de tecnologia, eventos estudantis, seminários, tudo muito organizado, Os eventos agropecuários também passaram a ter um lado cultural.

Aliás, nossa arte e cultura também estão muito estruturados, com escolas de arte, oficinas, festivais de música, literatura, teatro, cinema, exposições, enfim. No setor turístico, a prefeitura trabalhou para a manutenção do nosso conjunto arquitetônico da rua de cima, hoje bem preservado e sinalizado. Também ofereceu isenção para os empresários que quisessem investir na cidade. O Resultado foi uma sensível melhoria dos hotéis existentes, além da construção de novos hotéis e pousadas, que incrementaram e muito o turismo no município. O desenvolvimento econômico também nos trouxe a oportunidade de entendermos nossas origens, de conhecermos a história de Paulo Moreira, dos movimentos migratórios de escravos e índios em nossa história mais antiga, da formação dos distritos e povoados.

A cidade tornou-se também conhecida pela liberdade religiosa, ecumênica, onde as pessoas podiam orar segundo suas crenças, onde padres e pastores celebravam cultos em conjunto, afinal, Deus é o mesmo para todos. Cada distrito ganhou um ginásio multiuso pensado para esportes e com tratamento acústico para shows, palestras, seminários e solenidades. Na área da saúde, a cidade também tornou-se modelo, investindo em sua estrutura local e liderando um conceito de rede de especialidades, juntamente com a cidade irmã Dom Silvério e também com João Monlevade e Ponte Nova.

Se eu fosse descrever todas as maravilhas, teria de escrever alguns livros. Essa é a cidade que você, eu, que nós construímos com nosso amor por essa terra bendita. Pois é, minha gente. Mas agora eu vou ter de pedir a licença de vocês, pois vou dar uma ida ao Estádio Municipal pra ver a partida que comemora a subida do Alvinopolense à primeira divisão do futebol mineiro.

Prú Tchááá!!!

NUVENS MOVEDIÇAS


POLÍTICA
CHÃO DE NUVENS
PONTA CABEÇA
ORA, TARTARUGA
ORA, COELHO
VENTO CONTRA
MORMAÇO
LIMPA O TEMPO
FOGE O CHÃO
QUEDA LIVRE
METEORO
CADENTE
BLACKOUT
IMPACTO
CONTIDO
SURREAL
MUNDO À PARTE
COM SEU NEXO
MOVEDIÇO

quinta-feira, 8 de outubro de 2009

VIVA NOSSA SENHORA DO ROSÁRIO


Muita felicidade e honra ter participado da Festa de Nossa Senhora do Rosário deste ano em Alvinópolis, por vários motivos.

Tudo estava lindo como sempre, mas este ano algumas novidades deram ainda mais brilho à nossa festa da padroeira.

A decoração do adro da igreja foi algo de encher os olhos e os espíritos. Primeiro porque o efeito foi lindíssimo, depois pelo simbolismo, pela atitude ecologicamente correta, em minha opinião em consonância com o pensamento cristão. A palavra de Cristo do "amái-vos uns aos outros" implica em pensarmos o mundo que deixaremos para as futuras gerações e porque não, para as outras espécies.

Tomara que a atitude permeie todas as ações da cidade daqui pra frente.

Não sei quantas pessoas estiveram envolvidas, mas estão de parabéns todos que participaram, pelo bom gosto e dedicação.

O pessoal da Fundação Casa de Cultura também estava por lá, Marina, Nita e Clara, com uma bela exposição fotográfica e de artes da nossa terra.

Outra coisa que me deixou feliz foi conhecer o novo salão paroquial. Sem sombras de dúvidas é hoje um dos melhores espaços da cidade. Merece elogio também a atitude da igreja de abrir espaço para que os artistas locais possam se apresentar após as missas. Penso que o grande mérito dessa iniciativa deve ser reputada ao Sidney, locutor da Alvimonte FM, que assessorou o Padre na questão dos shows.

No entanto, me permito fazer algumas críticas construtivas. De antemão, há de se compreender as dificuldades de se fazer qualquer investimento financeiro de construção, que sabemos ser muito caro. Já foi um avanço muito grande construir o Salão. Porém, a acústica precisa ser tratada para que tenha condições de receber shows. Faz-se necessário também que o som seja melhorado, com a existencia de melhor retorno e um técnico de som para monitorar o som enquanto a banda vai se apresentando. Em minha opinião, deveria haver algum tipo de decoração no salão, logicamente respeitando os limites de ser um salão de instituição religiosa. Não cabe mesmo iluminação de boate, com luzes difusas. Mas pelo menos um banner de fundo de palco e alguns detalhes que enfeitem, que proporcionem um pouco mais de alegria, de glamour.

Não tive oportunidade de assistir a todos os shows.

Vi apenas parte do show de Thiago e Admilson e percebi o quando o som era prejudicado pela acústica. Com toda qualidade que a dupla tem, não conseguia entender o que cantavam.

No show do VERDE TERRA, que voltou a se apresentar após 22 anos não foi diferente. No palco, não conseguíamos ouvir o que o colega que estava a poucos metros cantava. Tenho certeza que o público também tinha um som muito ruim lá na frente. Porém, a platéia foi altamente respeitosa e tem toda a questão simbólica da banda tocando após tanto tempo. Aproveito para pedir desculpas se não pudemos nos apresentar melhor. Tomara que a vida nos dê a oportunidade de em outro momento, tocarmos com mais qualidade para o público da cidade. Depois do show fomos para o Nicks e ficamos até mais tarde por lá, recordando as músicas que tocávamos há 2o anos atrás, tão atuais nos conteúdos. Lá aconteceu o Verde Terra de verdade, com os vocais afinados, numa só voz, com muita alegria do reencontro. Foi mágico.

Mas voltando a Festa de Nossa Senhora do Rosário, foi muito bonito também ver a Neném de Marina com sua alegria, parecendo uma menina rainha, mal se contendo em si de tanta felicidade. Não me lembro de ter visto uma rainha mais feliz.

A festa desse ano foi linda,minha gente. Deus queira que nos próximos anos haja o mesmo entusiasmo, de repente até um pouco mais de divulgação, convidando os Alvinopolenses de todos os cantos, das cidades vizinhas, para que nosso 7 de outubro seja marcante , aguardado e glorificado.

domingo, 4 de outubro de 2009

TUÔLA, O MELHOR PRESIDENTE DE CLUBE QUE ALVINÓPOLIS JÁ TEVE

Este encostado no prédio é o Tuôla

... A Discoteka do Industrial ia muito bem. Naquele tempo, a Cia havia decidido investir forte e o clube ia de vento em popa. Mas do outro lado da cidade, o pessoal do Alvinopolense suportava calado a supremacia financeira do oponente tradicional. Nunca o "pôka rôpa" havia sido tão humilhado. Foi desse cenário que surgiu o maior presidente de clube que Alvinópolis já teve: o grande Tuôla. Impressionante como ele lotava os bailes no Alvinopolense apenas no boca-a-boca. Naquela época não havia rádio, nem internet, nem nada. A parada era resolvida era no gogó mesmo, no gogó incansável do nosso kojac, aquela figura fantástica, doce com quem gostava, duro com quem o atacava. Ele era folclórico também. Nessa época da Discoteka do industrial, ele resolveu que tambéi iria montar uma discoteca no Alvinopolense, pois o AFC era um clube bem melhor e mais estrurado. Me perguntou o que precisava comprar em termos de equipamento e fui listando pra ele: Olha Tuôla, você vai ter de comprar um PA completo, com caixas, microfones, twitter, etc. Daí a dois dias ele me encontrou na rua e quase me forçou a entrar no clube falando;- Olha alí. Já montamos a discoteca, comprei tudo que você falou, inclusive as tais de cuicas. Expliquei pra ele que eram twitters e não cuicas, mas ele fez que não ouviu e continuou falando cuica. No fundo, acho que se divertia com a situação. Interessante também era observá-lo na entrada do clube. Ele ficava recebendo ingressos, mas muitas vezes botava a gente pra dentro, ao perceber que não tínhamos mesmo dinheiro pra pagar. No final, a gente animava os bailes e percebi que a juventude que ele deixava entrar de graça, principalmente as meninas, atraiam grande parcela do público que frequentava o clube. Uma sabedoria que lhe valeu um clube cheio na maioria dos eventos que fazia. Tuôla ainda tinha o lado da paixão com o futebol, aliás, com tudo que envolvesse o bom e velho AFC. Aquela derrota de 4x0 para o industrial ficou entalada muito tempo na garganta dos torcedores alvinegros. Até que brilhou a estrêla e a careca do Tuôla. Naquele fatídico clássico, tudo pesava a favor do AFC. Ah...tenho de observar que as vezes usava de métodos radicais. Certa vez, dizem que mandou colocar formiga saúva no lugar em que a torcida adversária iria ficar. Mas voltando ao clássico, Tuôla havia montado uma seleção regional com jogadores de ponta que já haviam jogado até muito bem contra Atlético e Cruzeiro. Antes do jogo, muita catimba. Houve até ameaça de morte contra um dos jogadores, conhecido como Linguêta. Tuôla arrumou um bode e pintou AFC nas suas costas. Não sei se fazia parte de algum ritual, só sei que deu Certo. O Alvinopense ganhou de 3x1 com direito a show de bola. O pouca roupa estava vingado. Ainda prossegui na amizade com Tuôla. Participei de alguns carnavais com ele. Num ano, ele criou uma escola de samba e fiz o samba enredo, com muito orgulho. Depois o clube começou sua decadência, Tuôla também começou a se desencantar com a falta de apoio e insinuações de que estaria se apropriando do patrimônio do clube. Isso o deixava muito chateado, afinal, estava sendo questionado o amor incondicional que ele tinha pelo clube. Meu ultimo case com Tuôla, também aconteceu de maneira curiosa. Ele me ligou, pedindo para olhar preço , pois desejava fazer um video contando sua trajetória no Alvinopolense. Prometi que olharia e retornaria. Depois de algum tempo liguei de volta e ele não atendeu. Dei um tempo e liguei de novo, mas também não atendeu. Resolvi dar um tempo. Quando foi à noite liguei de novo e nada...Foi então que resolvi deixar um recado na secretária eletrônica e assim o fiz. Deixei recado dizendo que estaria à disposição para produzirmos o tal vídeo e passando idéias de valores também. No outro dia, pela manhã, uma ligação comunicando: Tuôla faleceu! Na hora não acreditei. Perguntei de novo: Quem faleceu? Uai, foi Tuôla. Faleceu ontem. Fiquei muito triste naquela hora. Ao mesmo tempo fiquei pensando: meu Deus, então eu deixei recado na secretária para um morto? Não tem problema. Que ele receba nossas homenagens onde ele estiver. Após sua ida, o Alvinopolense teve alguns dirigentes também apaixonados e dedicados, mas nenhum com a sua carga de amor. Pedimos a Deus que nos mande novos dirigentes de clube, pelo menos com um terço da ousadia e da disposição do Tuôla.