segunda-feira, 31 de agosto de 2009

ALMAS OBESAS

O tempo passa e vamos ganhando peso.

Acumulamos lixo em nós mesmos.

Capitalismo sórdido.

Obesidade mórbida.

Há os se sacrificam

e se autolapidam numa academia.

Há os se penitenciam

e resistem às tentações da gula.

Há os que têm têmpera e se disciplinam,

conseguindo vencer a si próprios.

E há também os que começam

mas depois admitem a fraqueza

e voltam a assaltar a geladeira.

Há os que se enganam,

que tomam café com adoçante

e comem feijoada todos os dias.

Difícil resistir às tentações.

Conheço poucos que conseguem.

Nossas almas também engordam.

Almas obesas não têm mobilidade.

Chega um tempo de nos alimentarmos

de idéias lights.

Mas como é difícil resistirmos

aos elogios, essas guloseimas.

Como é custoso evitarmos

as informações saturadas.

Como é complicado

nos livrarmos

dos ardis do ego.

Há os que se sacrificam,

e conseguem se despreender do orgulho

através da meditação.

Há os que se disciplinam,

e conseguem calar as tentações que gritam

os imperativos da publicidade.

Há os que se enganam

acendem uma vela pra Deus

e uma pira pra ostentação.

Difícil conseguir a iluminação.

Para muitos, só o brilho do ouro e da prata.

Conheço poucos que se importam.

A vaidade existe só para o corpo físico.

Quase ninguém quer ser gordo.

Para a matéria, existe a lipo.

Já para a alma, só mesmo o sacrifício.

Não tem moleza.

Emblemática a imagem do Buda

Corpo volumoso e alma leve.

Um comentário:

Antonio de Pádua disse...

Marcos, Nota 10 pra vc. Taí um "letra" sensacional. é só colocar na pauta. Já pensou nisso?Parabens.