domingo, 17 de maio de 2009

POR ONDE ANDARÁ CHICO BREAD ?


Nos primeiros festivais de Alvinópolis, eu era um menino de 15/16 anos, muito curioso e atento, observando aqueles "heróis" todos que desfilavam seu talento.
Lembro-me do grupo AVE de OURO PRETO com músicas fantásticas como REZA. Eles tinham também um congado que dizia: Oi que faz a viola gemer...outra chamada Canto do Cisne Negro.
O grupo Ave desenvolvia uma dinâmica vocal como nunca mais ouvi nada igual, além da qualidade instrumental.
Lembro-me também dessa época, da cantora Cristina Valle, com sua voz de fada, pura sedução no cantar.
Mas para mim, a figura mais emblemática de todas atendia pelo nome de Chico Bread. Era um cantor e compositor cabeludão, que tocava gaita e violão ao mesmo tempo e tinha músicas com nomes engraçados. Uma delas nunca mais esqueci, era intitulada MORENA COR DE RAPADURA.
Não me lembro qual foi a colocação do Chico nos Festivais. As idéias dele eram irreverentes demais e como sempre existe um jurado ou outro mais conservador , pode ser que nem tenha vencido esses festivais. Creio que aparecerá alguém de memória mais privilegiada para complementar essa informação
De qualquer maneira, anos depois ouvi falar que ele havia mudado seu nome para Chico Bré, imagino ter sido uma tentativa de dar uma brasileirada no nome, já que Bread em Inglês significa pão. Existia também um grupo vocal famoso na época chamado Bread e pode ser daí que ele tenha tirado o nome artístico. Haviam outras músicas dele muito bonitas, lembro-se de outra, acho que se chamava VEM VOAR...dizia: " Vem voar, nas asas da jandaia...".
Nesse negócio de tocar gaita e violão, Chico me lembrava Bob Dylan, mas a semelhança acabava por ai, pois seu discurso poético não tinha os engajamentos do Poeta Folk americano, mas seguia pelo terreno do naturalismo.
Mas e aí, meus amigos! Deixo então a pergunta aberta: por onde andará Chico Bread ? Seria muito bacana se ele voltasse a Alvinópolis para uma apresentação.


quarta-feira, 13 de maio de 2009

PARTIDO CULTURAL


Passam prefeitos, passam vereadores, passam deputados...mas a cultura fica!
Porém, todos nós que trabalhamos com cultura precisamos refletir sobre uma coisa vital para a sobrevivência dos nossos valores artísticos: precisamos nos organizar como PARTIDO CULTURAL.
Digo isso porque a cultura tem realmente grande dificuldade de fazer com que as pessoas percebam sua importância. Vivemos tempos imediatistas e as pessoas, hipnotizadas pelos apelos da sociedade de consumo, tem grande dificuldade em perceber valor na arte .
As pessoas, acostumadas com a chamada cultura popularesca, tem grande dificuldade em consumir uma cultura um pouco mais elaborada. Geralmente consideram uma coisa tediosa, assim como acham chatos a literatura, o balé, a arte em geral.
Ai a gente fica pensando: qual deve ser o papel de das fundações e instituições culturais ? Dar ao povo apenas o que deseja, ou seja: pão e circo,  shows sertanejos, axé ou funk ? Oferecer espetáculos de grande valor artístico, capazes de gerar  reflexão e depurar o senso artístico das pessoas ?
Dificil responder a essa pergunta  ?
Pois eu respondo: as duas coisas são importantes.
Que o povo tenha entretenimento nos eventos de entretenimento e que tenham cultura
e arte nos festivais culturais.


O que quase sempre fica desequilibrado é o quanto se investe em cada tipo de evento.
Para os eventos de entretenimento, desde sempre se investiu grandes somas em dinheiro.
Já a cultura, há tempos andam de pires na mão, atrás de migalhas para sobreviver.
Sejamos realista. A questão é que a cultura não traz votos. 
Para que isso aconteça, é preciso haver mais gente consumindo cultura, mais difusão da cultura nos ambientes propícios, principalmente nas escolas, para que as pessoas aprendam a ser mais exigentes e se interessem pelos conteúdos culturais.
Mas precisamos nos organizar como PARTIDO CULTURAL. 
Não chegaremos a lugar nenhum se deixarmos que os interesses do Partido Cultural foram atropelados pelos interesses partidários. 
Conclamo a todos da cultura que tenhamos um horizonte comum, ao invés de entrarmos no jogo de algumas pessoas da cidade, que tentam implodir tudo que se tente construir.
Vamos integrar o Partido Cultural e fazer a diferença.
Quem vai se filiar ?

sábado, 9 de maio de 2009

FESTIVAL DE MÚSICA, NOSSO EVENTO MAIS CONHECIDO.


Exposição agropecuária, quase todas as cidades da região fazem.
Cavalgadas, também!
Mas Festival de Música Alvinópolis faz melhor que todas as cidades da região.
É importante lembrar que a exposição e cavalgada de Alvinópolis não tem nenhum destaque regional.
Cidades como Santa Bárbara, Nova Era, São Gonçalo e Dom Silvério, para não citar outras, tem muito mais tradição nesse tipo de evento.
Mas Festival de música é o de Alvinópolis.
Nosso festival tem tradição.
É feito desde 1976 e sempre teve uma turma entusiasmada trabalhando quase sempre de forma voluntária.
Nosso festival resistiu a todas as ondas musicais e já está quase chegando a sua edição número 30.
É provavelmente o evento de maior longevidade na nossa região e é motivo de orgulho para os Alvinopolenses. Como manifestação cultural em nossa cidade, só perde para o Congado e a festa de N.S.do Rosário, que já tem mais de 100 anos de vida.
A maioria das cidades da região já fez festivais de música, mas só o de Alvinópolis sobreviveu.
Para esse ano, já foi lançada a marca oficial, escolhida entre várias criações de Alessandro Magno, um dos criadores do site Portal Alvi.
Tudo indica que teremos um belíssimo festival, que já começa a ser divulgado esta semana.
Muitos detalhes devem ser definidos nos próximos dias e a medida que as novidades forem pintando, vamos divulgando para conhecimento de todos.

quinta-feira, 7 de maio de 2009

A COMEDIA E A TRAGÉDIA, ESSAS PARENTES PRÓXIMAS!


Estava eu tranquilo em minha casa lendo o mural do Alvinews, quando li uma mensagem pra lá de inusitada:- “ Estouro de boiada causa pânico pelas ruas da cidade”.

Pensei comigo:- Ai, ai. ai ! Agora é que o pessoal vai cair na gozação. Tomara que não saia em nenhum jornal de grande circulação, pois depois da famosa trombada de cavalo, agora vem esse estouro de boiada em pleno ano de 2009. Por causa dessas verdades absurdas, acaba que nós alvinopolenses ficamos com a fama de mentirosos. 

Vai que eu ainda estava rindo desse caso, imaginando o centro da cidade transformado numa Pamplona brasileira, quando resolvi dar uma olhada nos blogs dos amigos e fui cair no blog do Gomes.

Foi quando percebi que o amigo ex baterista da pesada, havia sido testemunha ocular do estouro da boiada, e como diz o ditado, não me deixa mentir sozinho (rs). 
Só que o Gomes pintava a história com outras cores.Ele não tratava o assunto com tom de comédia, mas exatamente o contrário. Ele puxava a orelha das autoridades para o que poderia ter sido numa tragédia.

E não é que ele tem razão?

Já pensaram se a boiada enfurecida machuca ou mata alguém?

Ainda bem que Nossa Senhora do Rosário está sempre atenta. 
Com relação à trombada dos cavalos, a situação foi bem pior, pois os pocotós saíram seriamente contundidos da situação e um dos cavaleiros também se feriu gravemente.

Mas se formos contar todos os casos fantásticos de Alvinópolis, dará pra enchermos uma dez enciclopédias. 
Há poucos dias também teve alguém que encontrou com um lobo guará na porta do grupo de cima, agindo como um cachorro de rua. 
Lobo Guará 

Falando assim, achamos a história curiosa, pitoresca, mas não sabemos o que está por trás dessa aparição do lobo em plena cidade. Com certeza, deve estar faltando comida pra ele em seu habitat natural.
Isso prova que atrás de toda comédia existe uma tragédia.
Isso prova também que coisas incríveis acontecem em nossa terra.
E ainda dizem por aí que nós somos mentirosos.
Que injustiça!
Me lembro ainda do caso do cabrito que explodiu em Alvinópolis.
Tem muita gente que conta essa história morrendo de rir, mas ninguém se lembra de ter pena do pobre caprino que explodiu em mil pedaços. 
Mas essa história eu deixo pra contar no próximo artigo.


                                                  Tadinho

quinta-feira, 30 de abril de 2009

AS SERENATAS EM ALVINÓPOLIS


O cenário ideal eram as noites de frio, com serração de cortar com faca.

Os que tinham namoradas, levavam as amadas em casa primeiro e depois iam pra baixada encontrar com o resto do pessoal.

Enquanto esperamos chegar a hora da serenata, ficávamos na praça tomando uns “bravos” e observando os bêbados e lunáticos que sempre habitaram nossas noites.

Tínhamos de esperar passar pelo menos de 1 da manhã para sairmos.

Sempre tinha alguém que estava apaixonado e vinha com encomenda: - Vamos tocar na janela da fulana. Ela falou que iria deixar uma garrafa de vinho pra gente.

As meninas, já sabendo que iríamos fazer serenatas em suas casas, combinavam de dormir umas nas casas das outras. Algumas mais ousadas, costumavam até abrir as janelas e aparecer com suas belas camisolas, mandando beijinhos pro seu amado que estava na serenata com a gente.

Era impressionante a via sacra que fazíamos.

Muitas vezes, começávamos no Souza e terminávamos na Rua São José.

Fazíamos entre 10 e 15 serenatas por noite, além de sairmos tocando pelas ruas .

O silêncio era deliciosamente invadido pelos nossos violões e vozes juvenis.

Acontecia também de passarmos na Padaria pra pegarmos um pão quentinho de manhãzinha. Outro local obrigatório era a casa de Mariângela e Repolês. Quando íamos fazer serenata lá, eles abriam a casa, chamavam a gente pra dentro e abriam as garrafas do que tivessem, fora o tira gosto de primeira. . Uma vez tomei uma cachaça peruana lá que fiquei de ressaca 3 dias. Casal mais gente boa, impossível.

O problema é que nossas serenatas estavam ficando muito concorridas.

Chegou um ponto em que juntavam até 40 pessoas e ficava muito complicado.

Além do mais, os bêbados e os desafinados eram os que cantavam mais alto, atrapalhando tudo.

Tivemos de adotar o artifício de fingir que íamos embora pra casa, deixando os violões escondidos na casa de alguém. Aí, saiamos num grupo menor, só a nata.

Muitas vezes, a polícia também ficava na nossa cola. Uma vez, fizeram uma emboscada e nos cercaram na praça Bias Fortes. Um dos guardas até ameaçou quebrar meu violão. Tive de argumentar com o guarda, dizendo que cantávamos baixinho e que a gente tinha avisado para as meninas, que não perturbaríamos ninguém. Ele nos avisou que fossemos embora e não mais fizéssemos serenata, pois estávamos perturbando a ordem. Essa passagem acabou até virando uma canção.

Muitas coisas engraçadas aconteciam também. Como o dia em que Ricardão e Ronaldinho, pra lá de Bagdá, levaram o maior tombo subindo a avenida. Os dois se machucaram de sangrar, mas a garrafa de vodka e os copos que levavam ficaram intactos.

Não dá pra esquecer também os lanches que as meninas deixavam pra gente, churrasquinhos, espetinhos, kibes, vinhos e cachaças.

Engraçado que certa vez uma menina de BH nos falou: não sei que graça vocês vêem em sair num frio danado tocando para as meninas que estão em seus quartos, quentinhas debaixo do cobertor. Falta de conhecimento histórico da menina. Os homens desde sempre tiveram de adotar milhares de estratagemas românticos para lhes fazer a corte e as serenatas, talvez sejam das formas mais doces de se declarar amor.

Esses casos todos viraram canções e as reuni num CD chamado SERENATA.

No ano passado, cheguei até a lançá-lo em Alvinópolis, mas os ventos sopraram para outros lados e acabei nem fazendo show de lançamento desse CD. Quem sabe a hora seja agora ?

A Mônica Cris, conhecida por muitos como Mônica do Jazz, por outros como Mônica de Maurício, minha amiga de muitos e muitos anos, me sugeriu uma coisa muito interessante:  fazer um show e sair depois por uma serenata pelas ruas da cidade. Uma idéia pra lá de boa, como a maioria das idéias da Multimônica. 

terça-feira, 28 de abril de 2009

QUEM SABE ?

Sempre me aguçou a curiosidade saber o porquê do nome das coisas.

Por exemplo: quem mora na rua de cima e sobe a ladeira dos italianos a pé no tempo de frio, vindo da baixada, já reparou que a temperatura vai aumentando à medida que a gente vai subindo para a parte mais alta. O calor atinge seu ponto mais alto sabe aonde? Na rua do fogo. Deve ser por isso que a rua tem esse "apelido".

Nosso amigo Heber Prímola até já nos contou que o povoado do Gravatá tem esse nome, por causa de uma espécie de planta, da familia dos abacaxis que dá flores muito bonitas e que era abundante na região.

Porém alguns nomes da nossa região são indecifráveis, se perderam no tempo ou tem explicações que ainda nos desafiam.

Garanjanga, Quenta-Sol, Pimenta, Quati, Cangaiêro, Dumbá, Mumbaça, Zamparina, Contendas, Barra do S, Dias, Caxambu, Grijó, são nomes que falamos ou ouvimos falar...mas...afinal de contas, qual é a história desses nomes?

Taí um exercício de antropologia, semiologia e curiosologia.

Quem souber, por favor, sacie a curiosidade desse ignorante.

sexta-feira, 24 de abril de 2009

CONTABILIDADE DESUMANA


      Fico imaginando como devem estar se sentindo pessoas como Tatim, Ênio, Toquim, Paulo Andrade, Luciano, Zé de Quincas, Márcio de Muado, grandes experts das técnicas contábeis. Alguns deles, responsáveis pela transmissão dos conhecimentos, outros que abraçaram a profissão e que devem a sua formação primordial ao curso de contabilidade do Colégio Cândido Gomes. Se eu que me formei contador e não segui a carreira fiquei bastante chateado, imagino essas pessoas.

        A impressão que se tem é que alguns burocratas sentados em suas salas com ar condicionado, com apenas um click em seus computadores, estão deletando um século de cultura contábil, sacando mais uma das suas idéias geniais, mais um modismo estabelecido à partir de interesses obscuros, como quase tudo que se faz nesse país. Para esses tecnocratas, pessoas são apenas dados estatísticos numa planilha qualquer. É preciso lembrá-los de que existem pessoas de carne, osso e sentimentos na outra ponta. A contabilidade que propõem é desumana.

        Por outro lado, não podemos ser presunçosos, julgando as situações à partir de informações insuficientes, mas é que ate agora as explicações dadas não satisfazem. Dizem que foi uma diretiva governamental que pretende acabar com os cursos profissionalizantes nas escolas públicas, para que o ensino estatal se ocupe do básico.

        De qualquer maneira, tô achando que nosso pessoal, principalmente os nossos jovens estão aceitando tudo muito passivamente. Tá faltando a gente gritar, apitar, rasgar as roupas, incendiar pneus, fazer greve de fome, espernear,interditar rodovias, explodir alguma coisa, sei lá...fazer alguma coisa para lembrá-los que a gente tem sangue e merece respeito.