sábado, 4 de fevereiro de 2023

AS ORIGENS DO FESTIVAL DE ALVINÓPOLIS

Pesquisando e conversando com as pessoas, consegui entender algumas coisas importantes sobre o nosso festival: 

Em 1974 aconteceu em João Monlevade um festival que marcou época. Foi comemoração de 10 anos de emancipação política da cidade. Foram várias atividades grandiosas e uma das atrações foi um FESTIVAL DE MÚSICA POPULAR. Esse festival deve ter sido um dos melhores de Minas em todos os tempos. Pra que vcs tenham uma ideia, teve show de Roberto Carlos, Jair Rodrigues. E teve ainda Elke Maravilha e Erlon Chaves no juri. Foi um festival incrível.

NEGUINHO

Claro que Alvinópolis teve dois representantes: Neguinho e Frankinho. Eles classificaram duas músicas e presenciaram esse evento fantástico. Conversei com Neguinho que contou histórias muito legais. Ele falou que ficaram perto do camarim do Roberto, que tiveram oportunidade de interagir com muita gente boa.

DELCI COUTO

Neguinho me contou também que ele, Swat e Frankinho ficaram hospedados numa república de Delci em Monlevade. Delci me contou o seguinte: " Neguinho foi meu colega de Escola. Fizemos o "Ginasio" véio (rs) no Cândido Gomes. Neste Festival do Aço, eu já estava em Monlevade que, juntamente com mais quatro irmãos, montamos uma "República" embora não seja  DOS ANJOS. E os amigos alvinopolenses Neguinho e Swat, irmão do Zezé, do Ailton de Noca e dona Iaiá, morava na rua de cima, vizinho do Neguinho, foram nossos ilustres hóspedes nesta nossa "República". E foi mesmo um festival inesquecível"

ORIGENS DO NOSSO FESTIVAL

Nesse festival, Neguinho, aproveitou pra fazer amizade com um dos organizadores chamado Viola, sugerindo fazer Festival em Alvinópolis. Viola falou pra ele que no momento estava envolvido com um festival em São Domingos do Prata.

CHICO FRANCO

Entrevistei o Chico há alguns anos. Ele me contou que encontrou-se com Dico Lavanca e José Santana em certa ocasião, sugerindo fazer FESTIVAL DE MÚSICA em Alvinópolis. Dico gostou da ideia e pediu pra que fossem até Alvinópolis para uma conversa. Mas o Viola é que foi, já que o Chico tinha outros compromissos e assim foi feito o primeiro festival.

JOÃO BOSCO PASCOAL

João era empresário de Roberto Carlos, muito influente em João Monlevade. Ele foi também um entusiasta do Festival de Alvinópolis. Flavio do Carmo, vencedor no primeiro festival de Alvinópolis havia participado do Festival de Monlevade e João Bosco encaminhou sua inscrição em Alvinópolis, enviou a fita dele, a letra. João foi um sujeito muito importante na cultura da região. 

MAIS DETALHES

Neguinho me contou mais algumas coisas importantes. Muita gente colaborou e Alvinópolis realmente se mobilizou. Ele me contou que Dico resolveu apoiar, mas faltava espaço físico. Então eles se juntaram e conversaram com Getúlio Carvalho de Abreu Lima ( meu tio Tutúia), que também cantava e amava cultura, para que intercedesse junto à diretoria do colégio para que o festival pudesse ser feito lá. E deu tudo certo. Segundo Neguinho, embora os alunos do colégio tenham colaborado de forma voluntária, este festival não foi organizado pelos estudantes, mas por inúmeras pessoas. O entusiasmo era grande. 

COLABORAÇÃO DOS CONJUNTOS DA ÉPOCA.

E os conjuntos da época, os HELTONS,MORCEGOS e 007 foram fundamentais, pois acompanharam vários artistas. Não me esqueço da turma tocando com o Grupo Estrada de Governador Valadares, com muita qualidade. Eu mesmo no inicio,tive minhas primeiras músicas defendidas pelo saudoso Jorge de Nego. Neguinho lembrou mais uma coisa interessante. Nos primeiros festivais, depois da apresentação das músicas, eles tinham de pegar o equipamento e levar correndo pra fazer bailes e horas dançantes no Industrial e Alvinopolense e esticava a noite até o dia amanhecer.

Depois os festivais quase sempre tiveram a prefeitura como mantenedora. Durante o tempo que João Carlos de Souza Carvalho estava lá, era garantido que o festival seria feito com toda qualidade e atenção. Depois de sua saída, infelizmente, o festival ficou errático. Teve ano que o prefeito tinha boa vontade, em outros foi declinando a atenção. Quando o prefeito tinha má vontade, ainda assim a comunidade artística se unia e fazia no Nicks Bar. O importante era não deixar a chama se apagar. Foram 40 anos de glórias. Alguns políticos detestam mesmo. Há anos vinham acalentando o "sonho" de acabar com o festival e ensaiaram algumas vezes.

ESPERANÇA!

Recentemente alguns amigos vem me dizendo que existe a perspectiva do Festival de Alvinópolis retornar esse ano. Tomara que sim. É o evento que mais projetou a cidade e o Alvinopolense é vocacionado pra composição. Muitos músicos se formaram e chegaram a um nível alto. Sugiro que formem um conselho supra-partidário( se é que isso é possível) e façam um festival democrático. Deixo também minha sugestão para que façam como Rio Casca: tombem o festival o mais rápido possível . Não deixem pra amanhã. E a câmara dos vereadores também pode colaborar, colocando o festival na LDO, garantindo verba para sua realização. Outra coisa: inovem, utilizem a internet, divulguem as músicas, busquem interação com as escolas. Quando eu era estudante na Escola Cândido Gomes, as professoras de português levavam as músicas do festival pra sala de aula, pra turma interpretar as letras e conhecer aquela riqueza toda. Por isso eu sempre digo: mais do que festa, Festival é escola. E viva o nosso festival.




terça-feira, 4 de outubro de 2022

ALVIPA: O QUE VAI BEM, O QUE VAI MAL E O QUE PODE MELHORAR...


O QUE VAI BEM

Parabéns aos empresários, aos comerciantes, aos proprietários de imóveis, aos engenheiros e arquitetos. As construções em Alvinópolis estão muito bonitas e bem cuidadas. Muitos prédios arrojados subiram. Alguns bairros novos já nascem com a marca da modernidade. Imagino que nos distritos não seja diferente. 

O QUE VAI MAL

O piso da cidade está muito feio, cheio de remendos e buracos. O asfalto cheio de falhas, calçamento também.

CRISES 

Temos de levar em consideração a pandemia que paralisou as cidades e chuvas recentes que causaram grandes prejuízos. E vem outra temporada de chuvas agora...

PREVENIR PRA SALVAR VIDAS

Entraremos na temporada de tempestades e nos últimos anos não tem sido fácil. Que a cidade já vá se preparando, defesa civil fazendo sua parte pra evitar maiores prejuízos.

SUGESTÃO PARA MAUROSAN E EQUIPE

Pra quem mora na cidade, as vezes fica difícil perceber os problemas. Quando a gente que é da cidade vem visitar, gosta de elogiar quando tá bacana. Sentimos orgulho da nossa terra. E podemos contribuir visando melhorar. Que fique claro: não é crítica e sim sugestão. É o seguinte: se conseguirem melhorar o piso, teremos uma das cidades mais bonitas da região. A cidade é nossa casa. É bom recebermos as pessoas numa casa arrumadinha, limpa, com tudo no lugar.

DINHEIRO EM CAIXA?

Pelo volume de recursos viabilizados pelos políticos, imaginamos que haja dinheiro em caixa pra fazer algumas coisas. Pode começar dando uma geral na praça São Sebastião e ir contaminando o restante da cidade. Flores e árvores também seriam legais hein?

CIDADE VERDE PODE AJUDAR

Que tal conversar com o pessoal do projeto CIDADE VERDE para um projeto de arborização e decoração natural?

ASFALTO ALVINÓPOLIS-CATAS ALTAS

Mais um passo foi dado. Acaba de ser publicado pelo DER comunicado sobre edital. Estamos buscando informações mais detalhadas para divulgarmos para vcs. Parabéns à Denise Vania pelo trabalho incansável em prol dessa obra importantíssima que se viabilizada mesmo, vai beneficiar diversas cidades.

ONIBUS E TAXIS LOTAÇÃO

O fato dos taxis lotação estarem atendendo as demandas, acabou tirando renda da empresa Lopes e Filhos. Imagino que a empresa tenha sido forçada a cortar custos. Mas poderia pelo menos disponibilizar informações, interagir com o público. Tentei saber horários na sexta. Não consegui contato na rodoviária. Em Alvipa também ninguém atendeu, Nem em Monlevade. Pesquisei na internet e consegui informações de 2019. Será que não vale à pena manter o usuário informado? E quando cheguei à rodoviária, tive de tirar dinheiro no caixa 24 horas pois não aceitava venda com cartão de débito nem pix. Se a empresa quiser competir, deve melhorar os serviços. Que tal ônibus melhores, recarregador de celular a bordo, wi fi?  E se der pra comprar antecipado pela internet também seria ótimo. Será pedir demais? 

domingo, 6 de fevereiro de 2022

OS MORADORES DA RUA DA PONTE - Maria de Lourdes Camelo - entrevista.

O livro os MORADORES DA RUA DA PONTE de Maria de Lourdes Camelo nos leva a um passeio lírico no tempo da tenra mocidade da autora. Maria de Lourdes traça o perfil psicológico dos moradores da rua, com riqueza de detalhes, uma prosa poética deliciosa que me fez rir e chorar diversas vezes. Eu tinha dúvidas sobre até que ponto o livro era ficção ou realidade. Mas autora tira todas as dúvidas na entrevista.

Marcos Martino: Maria de Lourdes, agradeço muito pela entrevista. Tenho curiosidade sobre vários pontos.

Maria de Lourdes Camelo: Marcos, é sempre um prazer falar com você. Desta vez, com especial alegria, para uma entrevista sobre o livro “Os moradores da Rua da Ponte” de minha autoria. Li todas as suas perguntas e sinto-me tentada a falar não tanto do livro, mas do Leitor, esse protagonista que, sem ele, a literatura não tem sentido. O ato da leitura se constitui de dois polos: autor e leitor. Pensando assim, o texto não é mais meu, é dele. Como tal, ele tem o direito de julgar e interpretar, conforme seus parâmetros, seus preconceitos, suas crenças, sua visão de mundo e até ideologia. A percepção, agora, é dele. Por esse motivo, não posso, muito a contragosto, explicitar melhor qualquer personagem, pois esse papel é, por direito, do leitor. O imaginário é dele e, se desejar, poderá até recriar a obra, o que seria um exercício artístico e estético.

Marcos Martino: Até que ponto as histórias do livro são reais ou ficcionais?

Maria de Lourdes Camelo: Todo o livro é ficção. Não posso negar que a narrativa traga resíduos inconscientes do real. Todos os personagens são fictícios, com exceção de Sr. Niquinho Gama, Sr. José Micaré, Dona Marica Rodrigues e Geraldo, meu irmão.´

Marcos Martino: A rua do livro é inventada ou real?

Maria de Lourdes Camelo: É real. Reporto-me à rua que começa na ponte e termina na casa de Sr. Djalma de Moraes.

Marcos Martino: Você realmente trabalhou no censo?

Maria de Lourdes Camelo: Não. Nunca trabalhei.

Marcos Martino: A casa de prostituição existiu?

Maria de Lourdes Camelo: Tenho uma vaga lembrança dela.

Marcos Martino: O cara ruim do livro... qual tipo de crueldade ele praticava?

Maria de Lourdes Camelo: Fica por conta do imaginário do leitor. Talvez ele tenha a resposta.

Marcos Martino: Em sua juventude, deve ter sido sofrido ver a decadência de Olímpia. Você acha que ela tinha Alzheimer?

Maria de Lourdes Camelo: Boa pergunta. Instigante para mim. Olímpia é uma personagem de ficção. Não sei, talvez o problema dela seja existencial. Um vazio, solidão... Não sei. Talvez o leitor a entenda melhor que eu.

Marcos Martino: Talita é um caso que nos dá uma dimensão de como funciona o preconceito e de certa forma, de um fakenews que predominava sobre a realidade.

Maria de Lourdes Camelo: Escrevi Talita com muito amor e compaixão. Inspirei-me numa passagem bíblica   “Talita Kumi” em que seu pai, Jairo, procura Jesus Cristo para ressuscitar a filha que estava morta. E o milagre acontece. É outra resposta que delego ao leitor. Se ele preferir, poderá entender a lepra de Talita para além do físico. Talvez a metáfora da humanidade. Mas , isso fica na percepção de cada um.

Marcos Martino: Ema nos dá uma ideia de como era o recato à época. O marido pelo visto era rude e incompatível com a delicadeza dela.

Maria de Lourdes Camelo: Também era algo que acontecia com frequência. Vou citar aqui um comentário de uma senhora de 92 anos,de São Paulo, muito lúcida, que leu o meu livro: “Você retratou muito bem as mulheres daquela época. Eram infelizes e silenciosas. Pareciam   ter um pacto com a tristeza.”

Marcos Martino: Você diz que Hermógenes lhe apresentou o lado sombrio da vida.

Maria de Lourdes Camelo: Hermógenes é um personagem de ficção. Tem um currículo não muito saudável. Esse lado sombrio, fica a critério do leitor. Dependerá da percepção dele.

Marcos Martino: Na casa de Lucrécia você teve oportunidade de descobrir que as prostitutas no fundo eram pessoas comuns e até divertidas. Creio que nem podia comentar isso na época que as pessoas faziam o nome do pai.

Maria de Lourdes Camelo: Por que não? Elas também teriam uma alma nobre, não?

Marcos Martino: A casa do promotor me parece ter sido o lugar que mais a impressionou, pela perfeição do mundo dele, tudo muito certinho, funcionando perfeitamente, ele mesmo muito altivo e elegante, estou enganado?

Maria de Lourdes Camelo: Não. Essa possibilidade de inteligência aliada à nobreza de alma e elegância pode ser sedutora. Apresentei um personagem com essas características ou virtudes, se preferir.

Marcos Martino: A casa do Sr. Nonô para mim foi uma das mais interessantes. Deu vontade de passear na horta dele. Se bem que para homem não tinha perigo. Mas pras mocinhas...deliciosa passagem.

Maria de Lourdes Camelo: Até eu me diverti com o Sr. Nonô. Ri muito ao construí-lo. Mas acho que a pitada de malícia deu vigor ao texto. Fiquei fã dele.

Marcos Martino: Dona Santina pra mim foi uma aula de amor. Eu sempre tive comigo que amar é cuidar. Quanto amor nesse banho...

Maria de Lourdes Camelo: Sabe, eu também tive inveja dela. Pobre de mim, nem chego a seus pés. Dona Santina é a amante perfeita.

Marcos Martino: Linda a história de Sr. José Ferreiro, artista obreiro que constrói coisas úteis, obras de arte e utilitárias com uma responsabilidade sacerdotal. Existiu tal pessoa?

Maria de Lourdes Camelo: Que eu me lembre, não. De repente, esse personagem surgiu, todo humano, moderador e paternal. Gostei dele e me fez bem.

Marcos Martino: Seu Canjica não deu bola pras assombrações e elas foram embora. Alvinópolis tinha  muitos casos de assombrações.

Maria de Lourdes Camelo: Realmente, fui criada ouvindo essas histórias. Entendi, desde cedo, que o mundo era povoado por assombrações.E se eu não me controlar, até hoje, sou sobressaltada por esses medos.

Marcos Martino: Dona Alzira era uma super mulher, daquelas multi tarefas que dão conta de um monte de coisas e vão levando a vida, com pressa e ao mesmo tempo com poesia.Você também é um pouco de Dona Alzira, Maria de Lourdes?

Maria de Lourdes Camelo: Boa pergunta, Marcos. Acho que sou, sim. Mas ela é muito mais forte que eu. É pura e perfeita. Identifico-me, principalmente, com sua simplicidade. Seu ambiente , também, me fascina.              

Marcos Martino: O caso de Dona Bila é de tensão no meio e alívio no final. Uma vida resignada pelo machismo da época, mas feliz na velhice. Nada como o tempo agindo, né?

Maria de Lourdes Camelo: É verdade. Mas a sublimação enobrece a alma. A serenidade é uma meta e só ela pode nos trazer a paz, principalmente na velhice, assim penso.

Marcos Martino: Maria Pingo D’Água foi o anjo pra fechar o livro, uma figura divinal. Vocês tomaram foi água benta na mina dela.

Maria de Lourdes Camelo: Bela colocação, Marcos! Está vendo como o leitor enriquece a obra? Eu não havia  percebido que a água era benta. Você fechou o texto da forma mais sagrada, deu a ele o tom etéreo que faltava. Adorei! Chorei ao me despedir de Maria D’Água. Para mim, ela representa a pureza inalcançável, algo que me comove só em pensar. Vamos deixá-la feliz em seu universo . De minha parte, tenho um vislumbre  de paz quando penso nela.

Marcos Martino: Maria de Lourdes, seu livro me fez chorar várias vezes. Creio que a boa escrita tem de causar...e você me causou... e me causa sempre. Agradeço muito e quero sempre ler suas coisas. Quando teremos novidades suas?

Maria de Lourdes Camelo: Marcos, eu é que agradeço pela oportunidade de falar um pouco sobre a obra e  pela delicadeza de sua leitura, tão sensível e poética. Você engrandeceu meu trabalho e fez seu papel de Leitor Proficiente como sempre foi. Que  “ Os Moradores da Rua da Ponte” nunca saiam de sua biblioteca. Lá eles estarão seguros e em boas mãos. Um afetuoso abraço.  



quinta-feira, 19 de agosto de 2021

PARQUE ECOLÓGICO DO CARIMBÓ - SEMENTE DO AMANHÃ...

Área revegetada pelo premiadíssimo fotógrafo Sebastião Salgado. Esse é o espírito!
 
O projeto do Parque Ecológico do Carimbó tem um valor maior do que se possa imaginar. Quando Carlos Henrique Crepalde começou a trabalhar pelo projeto, confesso que em princípio fiquei desconfiado. O Alvinopolense é desconfiado por natureza. Mas o moço persistiu e foi juntando pessoas de alta categoria e o projeto foi ganhando corpo. Quando a semente é boa, o universo conspira e foram chegando apoios de amigos, de pessoas competentes, de autoridades importantes. A prefeitura também apostou na ideia e está inclusive se estruturando em termos ambientais, criando conselho próprio, demonstrando que essa será uma administração com mentalidade sustentável. Mas talvez o principal legado do projeto seja de se criar as bases de uma CULTURA AMBIENTAL, uma consciência pública, uma visão compartilhada, que se transforme em prática. Porque nós precisamos do planeta, usufruímos do que ele nos proporciona, mas precisamos cuidar desse imenso jardim. A foto que ilustra é muito inspiradora. O premiadíssimo fotógrafo Sebastião Salgado comprou alguns alqueires de terra e depois de um tempo, vejam como ficou. O espírito é esse. Fazer as nossas partes por um mundo melhor, começando pelos nossos quintais. E vivalvipa! 

 

sábado, 21 de setembro de 2019

ENTREVISTA COM LUCIANO GUIMARÃES - SOBRE O LIVRO - OURO SOBRE O AZUL


ENTREVISTA com LUCIANO GUIMARÃES, que está lançando hoje o livro OURO SOBRE O AZUL, com reminiscências de sua vó e madrinha, Dona Maria de Roberto. Luciano é escritor com diversas obras editadas. O lançamento vai ser hoje a partir das 19 horas na câmara municipal. Mas vamos à entrevista.

MARCOS MARTINO - Por que do nome OURO SOBRE O AZUL?

LUCIANO GUIMARÃES - Ouro sobre o azul é a expressão que minha avó dizia do por do sol nas tardes de outono em Mariana. Mas também é uma expressão antiga portuguesa que significa "perfeição". Nas armorarias antigas, quando as armas, com inscrições em ouro, eram brunidas até que o aço ficasse azulado, diziam que estava "ouro sobre o azul". Era o nome que ela desejava para o livro. Ela faleceu sem escrevê-lo. Mas ela deixou cerca de 100 cadernos com anotações próprias, citações e devoções. Fiz uma compilação desses escritos e concretizei seu sonho.

MARCOS MARTINO - E essas memórias passam por Alvinópolis?

LUCIANO GUIMARÃES - Sim. Alvinópolis e Mariana, especialmente. E este livro da minha avó eu quis que fosse destinado a obras sociais que ela gostava. Entre elas a Beneficência Popular em Alvinópolis. Meus livros são sempre destinados a uma causa social.

MARCOS MARTINO - Vc tem outros livros então?


LUCIANO GUIMARÃES - Sim. A Defesa da Honra: ações de injúria século XVIII em Mariana Minas Gerais (minha dissertação de mestrado) ; Água do Coração, escrito com dois amigos com contos, crônicas, poesias e um romance (O santo sem nome); O Sorriso da Cigana.

MARCOS MARTINO - E hoje vc reside onde?

LUCIANO GUIMARÃES - Hoje moro em Ouro Preto, mas morei cerca de 30 anos em Mariana.

MARCOS MARTINO - Minha mãe foi "discípula" da Dona Maria de Roberto. E em alguma medida, minha família também. Minha mãe falava da Dona Maria como uma escola de cortesia.

LUCIANO GUIMARÃES - Fico honrado. Minha avó sempre guardou com muita saudade sua terra natal e os grandes amigos que conquistou. Sou suspeito para falar, pois além de neto sou afilhado. Mas era uma pessoa que buscou uma vida de alegria e amizade.

LANÇAMENTO HOJE - A PARTIR DAS 19 HORAS NA CÂMARA MUNICIPAL. 

quinta-feira, 27 de junho de 2019

QUEM AJUDOU O GRUPO DE CIMA?



O Grupo de Cima ( Escola Estadual Bias Fortes) enfim vai ter uma reforma bacana pra alegria dos alvinopolenses. Trata-se de um edifício majestoso, um dos mais bonitos de Alvinópolis. Já estava incomodando a todos passar e ver o prédio em situação precária, com pinturas descascando e outros problemas estruturais. 

UM ESFORÇO DE MESES

Eu comecei a postar seguidas mensagens sobre a necessidade da reforma do Grupo no dia 1° de maio. Desde então, passei a interagir com o pessoal da escola, com políticos locais, provocando a todos para que dessem uma força, afinal, é uma escola muito amada e vital para a formação de gerações e gerações. A Diretora Fabiane me informou que a escola vem lutando há tempos, tentando sensibilizar autoridades e cidadãos para pelo menos fazer obras paliativas, embora existisse a necessidade de capital para uma reforma bem maior.

UMA LUZ NO FIM DO TÚNEL

Finalmente pintou uma solução. A Diretoria da escola, ao ficar sabendo sobre uma multa que seria paga por uma empresa da cidade, conversou com o promotor que se prontificou a determinar que a multa fosse revertida para tão justa obra, mas que teria de passar pelo conselho do patrimônio histórico.

AÍ VEIO OUTRO DRAMA...

Se o dinheiro fosse passado para o Conselho, ninguém garante que seria revertido para as obras do grupo. O Conselho poderia ter o entendimento de que haviam outras prioridades e repassar o que achasse conveniente.

PROVOQUEI UM BOCADO DE GENTE

Mandei mensagens para políticos conhecidos e desconhecidos, postei provocações no facebook, para o Conselho de Patrimônio Histórico, pra todo mundo, pedindo que todos interviessem para que a reforma saísse. E aconteceu um esforço conjunto. Teve pessoas que agiram diretamente e que nem fazem questão de serem citadas. A diretoria do grupo trabalhou muito bem, houve total boa vontade por parte do promotor, da própria empresa e dos milhares de alunos que se formaram no grupo de cima e se engajaram no sonho da reforma.

A PARTICIPAÇÃO DO VEREADOR SAMUEL BICOCO

Como Samuel é um dos vereadores que mais interage na internet, mandei uma mensagem pra ele, pedindo que também agisse de alguma forma pra tentar viabilizar a reforma. Alguns dias depois ele encaminhou carta ao Conselho do Patrimônio Histórico cobrando respostas quanto à obra no grupo e no cemitério municipal. O conselho respondeu a sua carta e ele publicou na internet. Nada de errado com isso. Ele está documentado e tem todo o direito de divulgar, até mesmo de informar seus eleitores sobre suas ações.

MAL ESTAR

O que pegou mal mesmo foi a publicação em jornal da região, que credita ao vereador quase todo o mérito. O jornal, na tentativa de encher a bola do vereador, acabou gerando uma saia justa, uma situação danada de desconfortável. Ficou parecendo que o vereador foi o único responsável por desembolar a situação, quando na verdade houve um grande esforço coletivo e um processo de meses. Foi louvável a atitude do vereador em encaminhar a carta, mas antes desse encaminhamento, muita água já tinha passado debaixo da ponte. A carta foi encaminhada já no final do processo, quando a situação já estava praticamente resolvida. Nem cabe retratação ou errata por parte do jornal, pois trata-se de ponto de vista e não inverdade.  Mas que ficou desagradável, isso ficou.

SABEDORIA DO POVO

De qualquer jeito, vale aquele ditado da roça: "Eu não quero saber se o pato é macho. Eu quero é ovo". O que importa é que tenhamos logo o inicio das obras e depois comemoraremos quando o grupo estiver nos trinks, reformado, tinindo de novo.

SOBRE INICIO DAS OBRAS

Segundo a direção da escola, pra começar a reforma ainda existem alguns trâmites burocráticos dentro da Secretaria Estadual de Educação. Todo o processo foi encaminhado para a SEE/MG que ainda precisa autorizar a obra para que seja feita a licitação.

segunda-feira, 24 de junho de 2019

PRAIAS DE FONSECA

O Rio Piracicaba forma praias em Fonseca...
Toda ida a Alvinópolis é sempre um turbilhão de emoções. No ultimo final de semana foi mais ainda. Meu amigo Dindão me convidou para ir com ele a Fonseca para distribuir alguns jornais referentes à Expedição pelo Rio Piracicaba Ele fazia questão de levar pessoalmente até o distrito, onde a expedição teve uma recepção inesquecível. No meio do caminho ele resolveu parar o carro para bater a foto aí de cima. Foi ai que passou um filme na minha cabeça. 

A PRIMEIRA PRAIA A GENTE NUNCA ESQUECE

Eu era criança e fiquei até sem dormir quando minha mãe nos avisou que iríamos a praia em Fonseca. A gente só tinha visto praia até então pela TV. Imaginem a excitação. Fomos de kombe, com os primos, uma festa só. Lembro-me com riqueza de detalhes, fomos nadar num lugar que tinha água cristalina, uma areia brilhante e fofinha. Não tenho a menor vergonha em dizer. Se me perguntam: qual a primeira praia em que fui eu respondo: foi em Fonseca.

HOJE O RIO JÁ NÃO É O MESMO

Infelizmente, com o tempo e com o aumento do consumismo e também da população, o Rio está poluído demais. Por isso a importância de expedição para diagnosticar os problemas do rio e apontar soluções. Ao conversar com pessoas em Fonseca, percebemos também a proximidade de algumas pessoas com o rio e que em alguns pontos ainda dá pra pescar ( o rio ainda está vivo em Fonseca). 

FONSECA ENORME

Há muito tempo eu não passava no distrito e pude ver ao vivo e a cores o desenvolvimento do distrito. Já era pra ser cidade há muito tempo. Só não é por motivos controversos. Demos uma volta de carro por todo o distrito, vimos um comércio próspero, belas construções, uma "cidade" que parece respirar futebol ( o que mais a gente via era rapazes com chuteiras e camisas de futebol). Ah...também belas mulheres com sorrisos nos rostos, muita vida.

E PRA FECHAR COM CHAVE DE OURO

Demos sorte de encontrar no distrito a amiga Rejane e seu esposo. Localizar onde ela estava foi facim, facim. Fomos perguntando onde morava a irmã da Rejane e as pessoas foram nos indicando o caminho. Eu a havia conhecido virtualmente quando ela fez um movimento no distrito, convidando os prefeitos e políticos da região para debater o asfaltamento de Fonseca a Catas Altas. Fiquei impressionado com sua tenacidade. Embora resida em Catas Altas, ama Fonseca com todo o coração, é de família tradicional de Fonseca e se alguém falar mal do distrito perto dela pode preparar que vai ter briga. Nos encontramos para um bate papo bacana e presencialmente só reforcei a minha impressão sobre a força dos fonsequenses e do seu direito de autonomia e auto-determinação.