quinta-feira, 28 de fevereiro de 2013

O BOM SENSO E O CENSO


Há uma coisa curiosa sobre os últimos censos em Alvinópolis: 
as amostragens vem apontando um sensível decréscimo populacional nas últimas décadas. 


Um amigo questiona: - Mas como a população pode estar caindo, se a cidade tem crescido tanto?

Olhando de forma superficial ele parece ter razão.

As construções vem avançando em áreas antes desabitadas e pelo menos fisicamente, parece que a cidade cresceu.

Mas e a população?

O que explica esse decréscimo apontado em seguidos censos?

Temos de admitir que somos leigos no assunto e que nossas observações são feitas a partir do senso comum.

Então, seria bom ouvirmos opiniões de pessoas da área.

O meu amigo Bráulio, filho do Jadir talvez nos explique isso melhor.

Num primeiro momento podemos levantar algumas hipóteses.

A taxa de natalidade vem caindo.

Enquanto no passado as famílias eram numerosas, com até 7 filhos, hoje os casais tem tido no máximo 3 filhos. Quer dizer, em uma casa em que costumavam morar 10 pessoas, hoje moram 5.

Outro fator é que os jovens mudam-se para estudar/trabalhar e geralmente não retornam.

A cidade não tem abundância de empregos de modo a garantir a qualidade de vida para alguns cidadãos que almejam mais para suas vidas.

Mas são apenas opiniões sem lastro científico, só chutes mesmo.

Tem um fator que nos leva a crer que não tivemos mesmo crescimento significativo: nosso cemitério é o mesmo há um século, sem ampliação relevante e sem que outro fosse construído.

Mas por que a nossa população diminuiu?

Ao contrário de algumas cidades vizinhas, Alvinópolis não foi vocacionada para a mineração, nem teve um boom econômico capaz de gerar uma grande afluência populacional.

No passado colonial, abastecíamos as cidades da região com nossa produção agropecuária e se pensarmos bem, continua sendo assim.Embora tenhamos uma indústria têxtil e outra de cosméticos, a atividade agrícola continua sendo a nossa maior geradora de riquezas.

Essa sensação de retração ou estagnação econômica, por um lado reflete em baixa estima de alguns, ao ver cidades como São Gonçalo, Nova Era, João Monlevade, Santa Bárbara e Barão de cocais crescendo, enquanto nossa cidade parece regredir.

Por outro lado, as cidades citadas tiveram seu crescimento atrelado à exploração mineral, primeiro o ouro, depois o minério.

E quando o minério acabar?

Há relatos de locais que se tornaram cidades fantasma por causa do final de algum ciclo econômico.

Santa Bárbara teve uma experiência nesse sentido. Quando o ouro escasseou na região, por volta do século XVIII, a cidade ficou abandonada.

Existem muitos boatos sobre a existência de Minério em Fonseca, mas não sabemos se tratar de boato ou realidade. Se for confirmado, poderá atrair muito desenvolvimento para aquela região.

Enquanto isso não acontece, Alvinópolis continuará com sua produção amparada na agropecuária, que vem de fontes renováveis e sustentáveis.

Pra finalizar o artigo, vou deixar uma reflexão:  para que crescer?

Para aumentar a criminalidade?
Para gerar congestionamentos, poluição, stress, crescimento desordenado, miséria e outras mazelas?

Talvez seja melhor que fique do jeito que está mesmo.

Podiam pelo menos dar uma ajeitadinha, deixar as ruas limpinhas, as praças bem cuidadas e muito verde em torno.

Mas...crescimento demais poderia representar a demolição do nosso cantinho do céu.

domingo, 23 de dezembro de 2012

GAME OVER

Que venha o próximo ciclo...

segunda-feira, 19 de novembro de 2012

O FESTIVAL 2012 FOI MUITO BOM, APESAR DAS DIFICULDADES

Fiquei muito feliz com os resultados. Com todas as dificuldades, o Festival aconteceu e repetiu a qualidade de sempre. Agradecemos aos participantes que prestigiaram. Isso prova que o Festival tem nome, apesar do prêmio pequeno. Gostei muito da música vencedora. Até parabenizo o corpo de jurados, pois apesar de ser lindíssima, é uma música difícil, de harmonia até mezzo profana, se considerarmos o cancioneiro brasileiro, feito de melodias e letras simples. Marinho San é um mestre e vem nos prestigiando há alguns anos. Nico, que ganhou o segundo lugar, veio no ano passado, encantou e encantou-se com a cidade. Retornou e faturou o segundo lugar, com justiça, mas poderia até ter vencido também que o prêmio ficaria em boas mãos. O terceiro lugar, também é um sujeito que está sempre vindo a Alvinópolis, um violeiro da melhor estirpe, o meu amigo Diorgem Jr. A melhor letra ficou com outro grande nome, que esteve no ano passado com a lindíssima Manifesto H20, o papa-festivais Walter Dias. E a melhor interpretação ficou para a banda local HARD CASE, que realmente tem uma qualidade de cair o queixo. Outros artistas merecem referência, mas estou falando à partir da audição da pré-seleção, já que não estive presente no festival em si. Mas como eu disse, valeu pra caramba. Já chegaram comentários de que no ano que vem vai ter um super-festival, que não será apenas um "showzim no Nicks". Eu pelo menos ficarei muito feliz se isso acontecer. Baterei palmas e soltarei foguetes. O que importa é que aconteça e com muito brilho. O ultimo festival num governo do PMDB foi excelente, realizado na praça São Sebastião, tendo à frente da organização Mariãngela Repolês, minha mestra, a quem devo muito e jamais pagarei(rs). Se for ela na organização, com certeza será um Festival muito bacana. Se vierem shows grandes, se tiver mais investimento, melhor ainda. Esse ano, penso que tivemos o ato de grandeza de nos esforçar, com pouca verba, estrutura pequena, para não deixar que a peteca caísse, para não deixar principalmente os artistas jovens sem um evento tão esperado pela comunidade artística. O Festival, mesmo pequeno foi bacana e quem se envolveu, gostou. Quanto às provocaçõezinhas e perseguições pontuais,  essas já não me afetam em nada. Fazem parte e nunca deixarão de existir. E que venha o 33º Festival. E viva Alvinópolis!!!

SAUDENSES AMIGOS DE ALVINÓPOLIS

Graças a Deus, ficou pra trás aqueles tempos de rivalidade entre Dom Silvério e Alvinópolis e isso se deve a alguns acontecimentos recentes e à própria evolução das sociedades. Mas dois acontecimentos recentes ajudam a sedimentar ainda mais o caminho para uma integração maior e para uma mútua admiração. Eu sempre gostei muito de Dom Silvério, cidade que considero muito bonita, rica culturalmente e que fica perto, muito perto de Alvinópolis. Mas como eu dizia, dois acontecimentos relativamente recentes fizeram com que o relacionamento inter-cidades ficasse ainda mais sólido. O primeiro acontecimento foi a instalação da Bio Extratus em Alvinópolis. A vinda da Fábrica para Alvinópolis, o crescimento da empresa em solo Alvinopolense e sua reconhecida importância para a economia local, fizeram a diferença e praticamente inseriram Alvinópolis no mapa do país ( há alguns anos atrás, o Festival de Música fazia isso). E mais presentemente, tive a oportunidade de conhecer José Maria Repolês e Ana Maria Cotta, sua esposa. José Maria, prefeito de Dom Silvério e sua esposa, são apaixonados por Alvinópolis e estão sempre na cidade. A filha deles é casada com o Thiago, filho da Vera e do Lindouro da BioExtratus. Mas independente disso, sempre participam dos eventos culturais, estão sempre presentes, assim como fizeram uma administração sensacional em Dom Silvério. Quem visita a cidade vizinha tem uma excelente impressão. Ruas sempre limpinhas, tudo organizado e uma gestão exemplar. E para demonstrar que a boa relação com a cidade não fica apenas na simpatia, José Maria, que é hoje também presidente da AMEPI, destinou verba da prestigiosa Associação dos Municípios do Médio Piracicaba para o Festival de Alvinópolis, reconhecendo a importância do nosso festival como importante evento vitrine para os artistas de toda a região. A contribuição da AMEPI, ajudou e muito para que o Festival deste ano fosse realizado e em nome da cidade, agradeço a AMEPI, ao José Maria e a Ana Maria. E só pra terminar esse post, fico curioso de saber o que o José Maria vai fazer agora, já que elegeu seu sucessor e não mais estará na AMEPI. É obvio que continuará "politicando". Espero que continue levantando uma das bandeiras que hasteou na AMEPI, da duplicação da BR 381. Pelo que percebo, pela guerra de informações no ar, ainda tem muita agua pra passar debaixo dessas pontes... 

sexta-feira, 16 de novembro de 2012

OS FESTIVAIS, O JURI E O PÚBLICO.

Hoje me dei conta de uma coisa. Dos 32 Festivais da Música em Alvinópolis realizados até hoje, não estive presente em apenas dois. O primeiro e o deste ano. É obvio que estou chateado de não estar em Alvinópolis neste evento que pra mim é mais importante que qualquer Rock In Rio, copa do mundo ou o que for, mas é que já tinha realmente um compromisso inadiável: aniversário da minha filha, Rísia. De qualquer maneira, ajudei como pude nos últimos meses. Já falei e volto a repetir: festival pra mim é como se fosse universidade, faculdade, uma escola que ajuda a lapidar os trabalhos musicais e literários. Os artistas se apresentam com dois focos distintos: o corpo de jurados e o público. Não é fácil agradar ao juri. Ali sempre estão pessoas do meio musical, literário, professores de português, produtores, artistas, jornalistas, poetas, pessoas que tem vivência e preparo intelectual. Agradar o público também não é fácil. Arrancar aplausos, emocionar, criar identificação não é tarefa fácil. E ainda tem outra questão. Muitas vezes o artista agrada ao público, mas não agrada o juri. A platéia muitas vezes se revolta sem saber qual foi a minúcia vista pelo juri, que o público não enxergou, por não ter as letras nas mãos, as vezes por não ter conhecimento técnico. O contrário também acontece. Muitas vezes o artista agrada o juri, mas não emociona o público. Agora, quando o artista consegue as duas coisas é o máximo. Já vi isso acontecer algumas vezes. Tem artistas de tamanha capacidade interpretativa, que fazem com que uma música nem tão boa assim cresça, se faça gigante. Só sei de uma coisa. O Festival é um evento muito bom pros artistas, principalmente pros compositores, tão sem espaço pela preferência do público e até dos donos dos bares pelos covers. Mas sinceramente? Mais do que nunca, tá precisando haver uma renovação de conteúdos. Precisamos de músicas novas, capazes de espelhar nosso tempo, letras que vão além das temáticas pobres veiculadas pelas nossas mídias. 

segunda-feira, 5 de novembro de 2012

O FESTIVAL NÃO É DE NINGUÉM E É DE TODOS

Desde os primeiros anos, a prerrogativa de se fazer o festival coube ao poder público municipal por uma razão muito simples: sem o patrocínio majoritário da prefeitura é quase impossível fazer um festival maior, com melhores prêmios e estrutura. No entanto, se os prefeitos e seus assessores resolvem que não vale à pena investir, a comunidade cultural faz assim mesmo. É o que está acontecendo em 2012. Vai ser pequeno, mas aconchegante e terá qualidade, como sempre. E terá o mais importante, que é a participação dos artistas da cidade, que são muitos. Hoje uma pessoa me falou: - Marcos Martino, você é um bobo mesmo. Fica se esforçando junto com o Alessandro para que o festival aconteça, mesmo pobre, mesmo sem dinheiro! Ora bolas. Tem pessoas no mundo que tem atitude de grandeza, de pensar além do momento presente, de pensar nos compositores, nos artistas novos, que não tem espaços para se apresentar. Essa mesma pessoa que me chamou de bobo, também me provocou dizendo que no ano que vem o novo governo vai fazer um super-festival, que vai investir dinheiro, trazer show nacional na praça e que não vão me chamar pra nada. Em primeiro lugar, não posso reclamar. Em festival realizado pela turma do 15, fui até homenageado, tendo uma das maiores emoções da minha vida, quando o grupo vocal Elo de João Monlevade cantou a música Do Outro Lado do Espelho. E um dos festivais que fizemos com maior sucesso de público, também foi o realizado em parceria com a prefeitura em 2006, se não me engano...ou 2002. Lembro que era época de copa do mundo. Foram 10 dias de festa na Praça, com grande participação popular.  E Puxa vida! Se o pessoal resolver realmente investir, soltarei é alguns foguetes. Tudo que eu quero é que esse festival permaneça aberto, em plena atividade, pois pra mim é uma universidade da música. Já falei isso diversas vezes e repito. Se acontecer, ficaremos muito felizes mesmo. Isso significará que nosso esforço valeu à pena. Tomara mesmo, pois bons nomes do lado do Milton é que não faltam. Tem a Mariângela, minha grande incentivadora,  que fez excelentes festivais. Tem a Ana Therezinha, tem o Marcelo Xuxa, enfim, uma turma muito boa, com legitimidade pra trabalhar a cultura e que não vão deixar a peteca cair, muito pelo contrário, vai querer mostrar que sabe como fazer e que valoriza o Festival, que não é da prefeitura, mas de todos. Mas por enquanto, vamos nos ater ao Festival 2012, que vai acontecer daqui há 11 dias apenas. E bom festival pra todos...

quarta-feira, 31 de outubro de 2012

FESTIVAL - NÃO PODE É FICAR SEM FAZER

Não é teoria da conspiração, mas sim o pensamento de alguém que sempre esteve envolvido com o festival, de uma forma ou de outra. Desde muitos anos, existem várias pessoas doidas pra acabar com o festival, cada um com seus motivos. Há alguns anos, o argumento era de que só atraia malandros e drogados para a cidade. Depois, passaram a dizer que festa mesmo era cavalgada e exposição agropecuária. E da-lhe argumento de que a festa já havia caído do galho em várias cidades, que ninguém mais fazia festival e por aí vai. Hoje, ainda tem uma série de inimigos. Recentemente tive de ouvir que com a criação da festa da chita, não havia mais sentido fazer o festival, pois era uma festa cultural muito mais interessante. Ora, reconheço a importância da festa da chita, mas são eventos de naturezas completamente diferentes. Um não anula o outro. Se podem ser feitos juntos? Ora, podem sim. Desde que seja pensada uma forma criativa de preservar o que cada evento tem de melhor. A Festa da Chita tem um clima junino, com o colorido das peças, com todo um clima que remete ao forró e as quadrilhas.Mas com planejamento, dá pra fazer sim. Quem sabe com o festival acontecendo de dia e um forrozão na praça à noite. Seria interessante. Mas voltando ao Festival 2012, este ano foi realmente mais difícil de realizar. Esperou-se até a ultima hora a confirmação de alguns patrocinadores habituais, que desta vez resolveram ficar de fora. Tivemos de ser criativos, reduzir gastos, mas não deixamos a peteca cair. Os críticos, como não poderia deixar de ser, dizem que estamos diminuindo a importância do evento e outras besteiras. Muito pelo contrário. Estamos realizando com todas as dificuldades. O Nicks é um templo sagrado da música Alvinopolense. O espírito do grande Nô de sô Nico estará conosco, ele que foi um grande incentivador e que trazia as novidades do mundo para os jovens da época. Fazer o festival no Nicks não é diminui-lo de maneira alguma. Aliás, realizá-lo no Nicks nos ensinou que vale à pena sempre definir um local onde as pessoas possam ficar sentadas para ouvir os artistas e interagir com eles. Nos espaços grandes, a dispersão faz com que os artistas muitas vezes fiquem sozinhos, sem atenção de ninguém, só do corpo de jurados. No Nicks, a proximidade e o calor humano são muito interessantes. Embora que este ano tá um calor infernal(rs). Só pra finalizar essa postagem, quero relembrar um fato. Teve um ano, que o amigo Ronilson Bada fez um festival praticamente sozinho, realizado no Nicks Bar. Muita gente criticou, mas eu elogiei. Neste festival, se não me engano, Ronilson contou com apoio apenas da Esther Sanches. Quando acabou o Festival, fui até o Ronilson e agradeci. Ele salvou o Festival. Ronilson é um dos heróis, um desses Alvinopolenses que ama a cidade e a cultura. Este ano, o herói é o Alessandro. Ainda bem que temos pessoas como eles. Em próximo post, vou falar sobre um Festival muito bacana mesmo, que durou 10 dias, feito em parceria com o Angelo da Krawy...e foi num governo do Milton.