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Há uma Alvinópolis atemporal. Nela temos a idade que quisermos. A idade das nossas felicidades. Que tal? Por que tem gente de 13 com mais juízo que alguns
de 59. Nessa Alvinópolis atemporal poderemos reparar
alguns erros. Então, a nossa praça vai voltar a ter os bancos do
jeitim de antes. A turma vai poder empoleirar nos bancos, e namorar,
um esquentando o outro. As ruas serão de broquetes ao invés de asfalto.
Mais fácil de trocar e dá pra água infiltrar no solo. A rua de cima terá paralelepípedos perfeitos. É um
pedaço tão pequeno. Por que não podemos cuidar direito de um pedaço tão
pequeno? A parte histórica será um brinco. A banda de música vai ter os melhores de todos os
tempos. Imaginem que bandão. Os times de futebol. Que desfile de craques. E a sirene da cia vai tocar. E vão descer centenas
e centenas de operários. E vão descer também os meninos e meninas com
marmitas nas mãos. E teremos Totone, Teresão, Geralda, Todito,
Azeitona, Bastião de Olga, Walter Galhardo, todos participando do carnaval. E os desfiles de 7 de setembro, procissões da
semana santa, os dançantes do congado em outubro. E teremos o bloco dos professores, mestres desde
sempre. Da saúde, com médicos da antiga e do presente, enfermeiros, parteiras,
benzedeiras e benzedores. E vamos abrir o cemitério da boa viagem. Nossos
parentes e amigos não se foram. Nunca se vão. Vamos abraçá-los. Quero ouvir
Babucho tocando seu cavaquim, Tutuia cantando, Antonio Morais, abraçar Tuola,
Zé de Chico, minha mãe, meu avô e vô, meus tios. E vamos voltar a voar. O avião de Puig sobrevoando
a cidade e o campo de aviação cheio de aviões, balões e drones. E sobrevoaremos o trem, que já foi sonhado um dia e nunca chegou, mas ele vai apitar ali perto do pinga-rato e vai parar pra pegar e deixar passageiros. Não, não quero falar do passado. O futuro pode e deve ser melhor ainda. Dentro de certo tempo, não sei quanto tempo será, mas
tem chegar, teremos asfaltamento entre Alvinópolis e Catas Altas. Vcs fazem ideia do
que isso vai representar? Podiam aproveitar e asfaltar os 5 kms do Major. Dizem que sonhar é fácil e por sonharmos, muitas
vezes somos chamados de loucos ...mas nós não somos loucos nada, é que sabemos
sonhar. OBS - Linda foto de NORBERTO DIAS. |
terça-feira, 21 de março de 2023
ALVINÓPOLIS ATEMPORAL
sexta-feira, 17 de março de 2023
A VERDADE SOBRE O PROJETO DE ASFALTO ALVINÓPOLIS - CATAS ALTAS
Sobre a ligação asfáltica entre Alvinópolis e Catas Altas, o que existe de real por enquanto é o PROJETO de engenharia, por solicitação de José Santana e Gustavo Santana, que já está em fase de execução. É preciso deixar isso muito claro. Santana nunca deixou de prestigiar a cidade e tem uma enorme vontade de dar mais este presente para o município.
sábado, 4 de fevereiro de 2023
AS ORIGENS DO FESTIVAL DE ALVINÓPOLIS
Pesquisando e conversando com as pessoas, consegui entender algumas coisas importantes sobre o nosso festival:
Em 1974 aconteceu em João Monlevade um festival que marcou época. Foi comemoração de 10 anos de emancipação política da cidade. Foram várias atividades grandiosas e uma das atrações foi um FESTIVAL DE MÚSICA POPULAR. Esse festival deve ter sido um dos melhores de Minas em todos os tempos. Pra que vcs tenham uma ideia, teve show de Roberto Carlos, Jair Rodrigues. E teve ainda Elke Maravilha e Erlon Chaves no juri. Foi um festival incrível.
NEGUINHO
Claro que Alvinópolis teve dois representantes: Neguinho e Frankinho. Eles classificaram duas músicas e presenciaram esse evento fantástico. Conversei com Neguinho que contou histórias muito legais. Ele falou que ficaram perto do camarim do Roberto, que tiveram oportunidade de interagir com muita gente boa.
DELCI COUTO
Neguinho me contou também que ele, Swat e Frankinho ficaram hospedados numa república de Delci em Monlevade. Delci me contou o seguinte: " Neguinho foi meu colega de Escola. Fizemos o "Ginasio" véio (rs) no Cândido Gomes. Neste Festival do Aço, eu já estava em Monlevade que, juntamente com mais quatro irmãos, montamos uma "República" embora não seja DOS ANJOS. E os amigos alvinopolenses Neguinho e Swat, irmão do Zezé, do Ailton de Noca e dona Iaiá, morava na rua de cima, vizinho do Neguinho, foram nossos ilustres hóspedes nesta nossa "República". E foi mesmo um festival inesquecível"
ORIGENS DO NOSSO FESTIVAL
Nesse festival, Neguinho, aproveitou pra fazer amizade com um dos organizadores chamado Viola, sugerindo fazer Festival em Alvinópolis. Viola falou pra ele que no momento estava envolvido com um festival em São Domingos do Prata.
CHICO FRANCO
Entrevistei o Chico há alguns anos. Ele me contou que encontrou-se com Dico Lavanca e José Santana em certa ocasião, sugerindo fazer FESTIVAL DE MÚSICA em Alvinópolis. Dico gostou da ideia e pediu pra que fossem até Alvinópolis para uma conversa. Mas o Viola é que foi, já que o Chico tinha outros compromissos e assim foi feito o primeiro festival.
JOÃO BOSCO PASCOAL
João era empresário de Roberto Carlos, muito influente em João Monlevade. Ele foi também um entusiasta do Festival de Alvinópolis. Flavio do Carmo, vencedor no primeiro festival de Alvinópolis havia participado do Festival de Monlevade e João Bosco encaminhou sua inscrição em Alvinópolis, enviou a fita dele, a letra. João foi um sujeito muito importante na cultura da região.
MAIS DETALHES
Neguinho me contou mais algumas coisas importantes. Muita gente colaborou e Alvinópolis realmente se mobilizou. Ele me contou que Dico resolveu apoiar, mas faltava espaço físico. Então eles se juntaram e conversaram com Getúlio Carvalho de Abreu Lima ( meu tio Tutúia), que também cantava e amava cultura, para que intercedesse junto à diretoria do colégio para que o festival pudesse ser feito lá. E deu tudo certo. Segundo Neguinho, embora os alunos do colégio tenham colaborado de forma voluntária, este festival não foi organizado pelos estudantes, mas por inúmeras pessoas. O entusiasmo era grande.
COLABORAÇÃO DOS CONJUNTOS DA ÉPOCA.
E os conjuntos da época, os HELTONS,MORCEGOS e 007 foram fundamentais, pois acompanharam vários artistas. Não me esqueço da turma tocando com o Grupo Estrada de Governador Valadares, com muita qualidade. Eu mesmo no inicio,tive minhas primeiras músicas defendidas pelo saudoso Jorge de Nego. Neguinho lembrou mais uma coisa interessante. Nos primeiros festivais, depois da apresentação das músicas, eles tinham de pegar o equipamento e levar correndo pra fazer bailes e horas dançantes no Industrial e Alvinopolense e esticava a noite até o dia amanhecer.
Depois os festivais quase sempre tiveram a prefeitura como mantenedora. Durante o tempo que João Carlos de Souza Carvalho estava lá, era garantido que o festival seria feito com toda qualidade e atenção. Depois de sua saída, infelizmente, o festival ficou errático. Teve ano que o prefeito tinha boa vontade, em outros foi declinando a atenção. Quando o prefeito tinha má vontade, ainda assim a comunidade artística se unia e fazia no Nicks Bar. O importante era não deixar a chama se apagar. Foram 40 anos de glórias. Alguns políticos detestam mesmo. Há anos vinham acalentando o "sonho" de acabar com o festival e ensaiaram algumas vezes.
ESPERANÇA!
Recentemente alguns amigos vem me dizendo que existe a perspectiva do Festival de Alvinópolis retornar esse ano. Tomara que sim. É o evento que mais projetou a cidade e o Alvinopolense é vocacionado pra composição. Muitos músicos se formaram e chegaram a um nível alto. Sugiro que formem um conselho supra-partidário( se é que isso é possível) e façam um festival democrático. Deixo também minha sugestão para que façam como Rio Casca: tombem o festival o mais rápido possível . Não deixem pra amanhã. E a câmara dos vereadores também pode colaborar, colocando o festival na LDO, garantindo verba para sua realização. Outra coisa: inovem, utilizem a internet, divulguem as músicas, busquem interação com as escolas. Quando eu era estudante na Escola Cândido Gomes, as professoras de português levavam as músicas do festival pra sala de aula, pra turma interpretar as letras e conhecer aquela riqueza toda. Por isso eu sempre digo: mais do que festa, Festival é escola. E viva o nosso festival.
terça-feira, 4 de outubro de 2022
ALVIPA: O QUE VAI BEM, O QUE VAI MAL E O QUE PODE MELHORAR...
O QUE VAI BEM
Parabéns aos empresários, aos comerciantes, aos proprietários de imóveis, aos engenheiros e arquitetos. As construções em Alvinópolis estão muito bonitas e bem cuidadas. Muitos prédios arrojados subiram. Alguns bairros novos já nascem com a marca da modernidade. Imagino que nos distritos não seja diferente.
O QUE VAI MAL
O piso da cidade está muito feio, cheio de remendos e buracos. O asfalto cheio de falhas, calçamento também.
CRISES
Temos de levar em consideração a pandemia que paralisou as cidades e chuvas recentes que causaram grandes prejuízos. E vem outra temporada de chuvas agora...
PREVENIR PRA SALVAR VIDAS
Entraremos na temporada de tempestades e nos últimos anos não tem sido fácil. Que a cidade já vá se preparando, defesa civil fazendo sua parte pra evitar maiores prejuízos.
SUGESTÃO PARA MAUROSAN E EQUIPE
Pra quem mora na cidade, as vezes fica difícil perceber os problemas. Quando a gente que é da cidade vem visitar, gosta de elogiar quando tá bacana. Sentimos orgulho da nossa terra. E podemos contribuir visando melhorar. Que fique claro: não é crítica e sim sugestão. É o seguinte: se conseguirem melhorar o piso, teremos uma das cidades mais bonitas da região. A cidade é nossa casa. É bom recebermos as pessoas numa casa arrumadinha, limpa, com tudo no lugar.
DINHEIRO EM CAIXA?
Pelo volume de recursos viabilizados pelos políticos, imaginamos que haja dinheiro em caixa pra fazer algumas coisas. Pode começar dando uma geral na praça São Sebastião e ir contaminando o restante da cidade. Flores e árvores também seriam legais hein?
CIDADE VERDE PODE AJUDAR
Que tal conversar com o pessoal do projeto CIDADE VERDE para um projeto de arborização e decoração natural?
ASFALTO ALVINÓPOLIS-CATAS ALTAS
Mais um passo foi dado. Acaba de ser publicado pelo DER comunicado sobre edital. Estamos buscando informações mais detalhadas para divulgarmos para vcs. Parabéns à Denise Vania pelo trabalho incansável em prol dessa obra importantíssima que se viabilizada mesmo, vai beneficiar diversas cidades.
ONIBUS E TAXIS LOTAÇÃO
O fato dos taxis lotação estarem atendendo as demandas, acabou tirando renda da empresa Lopes e Filhos. Imagino que a empresa tenha sido forçada a cortar custos. Mas poderia pelo menos disponibilizar informações, interagir com o público. Tentei saber horários na sexta. Não consegui contato na rodoviária. Em Alvipa também ninguém atendeu, Nem em Monlevade. Pesquisei na internet e consegui informações de 2019. Será que não vale à pena manter o usuário informado? E quando cheguei à rodoviária, tive de tirar dinheiro no caixa 24 horas pois não aceitava venda com cartão de débito nem pix. Se a empresa quiser competir, deve melhorar os serviços. Que tal ônibus melhores, recarregador de celular a bordo, wi fi? E se der pra comprar antecipado pela internet também seria ótimo. Será pedir demais?
domingo, 6 de fevereiro de 2022
OS MORADORES DA RUA DA PONTE - Maria de Lourdes Camelo - entrevista.
Marcos Martino: Maria de Lourdes, agradeço muito pela entrevista. Tenho curiosidade sobre vários pontos.
Maria de Lourdes Camelo: Marcos, é sempre um prazer falar com você. Desta vez, com especial alegria, para uma entrevista sobre o livro “Os moradores da Rua da Ponte” de minha autoria. Li todas as suas perguntas e sinto-me tentada a falar não tanto do livro, mas do Leitor, esse protagonista que, sem ele, a literatura não tem sentido. O ato da leitura se constitui de dois polos: autor e leitor. Pensando assim, o texto não é mais meu, é dele. Como tal, ele tem o direito de julgar e interpretar, conforme seus parâmetros, seus preconceitos, suas crenças, sua visão de mundo e até ideologia. A percepção, agora, é dele. Por esse motivo, não posso, muito a contragosto, explicitar melhor qualquer personagem, pois esse papel é, por direito, do leitor. O imaginário é dele e, se desejar, poderá até recriar a obra, o que seria um exercício artístico e estético.
Marcos Martino: Até que ponto as histórias do livro são reais ou ficcionais?
Maria de Lourdes Camelo: Todo o livro é ficção. Não posso negar que a narrativa traga resíduos inconscientes do real. Todos os personagens são fictícios, com exceção de Sr. Niquinho Gama, Sr. José Micaré, Dona Marica Rodrigues e Geraldo, meu irmão.´
Marcos Martino: A rua do livro é inventada ou real?
Maria de Lourdes Camelo: É real. Reporto-me à rua que começa na ponte e termina na casa de Sr. Djalma de Moraes.
Marcos Martino: Você realmente trabalhou no censo?
Maria de Lourdes Camelo: Não. Nunca trabalhei.
Marcos Martino: A casa de prostituição existiu?
Maria de Lourdes Camelo: Tenho uma vaga lembrança dela.
Marcos Martino: O cara ruim do livro... qual tipo de crueldade ele praticava?
Maria de Lourdes Camelo: Fica por conta do imaginário do leitor. Talvez ele tenha a resposta.
Marcos Martino: Em sua juventude, deve ter sido sofrido ver a decadência de Olímpia. Você acha que ela tinha Alzheimer?
Maria de Lourdes Camelo: Boa pergunta. Instigante para mim. Olímpia é uma personagem de ficção. Não sei, talvez o problema dela seja existencial. Um vazio, solidão... Não sei. Talvez o leitor a entenda melhor que eu.
Marcos Martino: Talita é um caso que nos dá uma dimensão de como funciona o preconceito e de certa forma, de um fakenews que predominava sobre a realidade.
Maria de Lourdes Camelo: Escrevi Talita com muito amor e compaixão. Inspirei-me numa passagem bíblica “Talita Kumi” em que seu pai, Jairo, procura Jesus Cristo para ressuscitar a filha que estava morta. E o milagre acontece. É outra resposta que delego ao leitor. Se ele preferir, poderá entender a lepra de Talita para além do físico. Talvez a metáfora da humanidade. Mas , isso fica na percepção de cada um.
Marcos Martino: Ema nos dá uma ideia de como era o recato à época. O marido pelo visto era rude e incompatível com a delicadeza dela.
Maria de Lourdes Camelo: Também era algo que acontecia com frequência. Vou citar aqui um comentário de uma senhora de 92 anos,de São Paulo, muito lúcida, que leu o meu livro: “Você retratou muito bem as mulheres daquela época. Eram infelizes e silenciosas. Pareciam ter um pacto com a tristeza.”
Marcos Martino: Você diz que Hermógenes lhe apresentou o lado sombrio da vida.
Maria de Lourdes Camelo: Hermógenes é um personagem de ficção. Tem um currículo não muito saudável. Esse lado sombrio, fica a critério do leitor. Dependerá da percepção dele.
Marcos Martino: Na casa de Lucrécia você teve oportunidade de descobrir que as prostitutas no fundo eram pessoas comuns e até divertidas. Creio que nem podia comentar isso na época que as pessoas faziam o nome do pai.
Maria de Lourdes Camelo: Por que não? Elas também teriam uma alma nobre, não?
Marcos Martino: A casa do promotor me parece ter sido o lugar que mais a impressionou, pela perfeição do mundo dele, tudo muito certinho, funcionando perfeitamente, ele mesmo muito altivo e elegante, estou enganado?
Maria de Lourdes Camelo: Não. Essa possibilidade de inteligência aliada à nobreza de alma e elegância pode ser sedutora. Apresentei um personagem com essas características ou virtudes, se preferir.
Marcos Martino: A casa do Sr. Nonô para mim foi uma das mais interessantes. Deu vontade de passear na horta dele. Se bem que para homem não tinha perigo. Mas pras mocinhas...deliciosa passagem.
Maria de Lourdes Camelo: Até eu me diverti com o Sr. Nonô. Ri muito ao construí-lo. Mas acho que a pitada de malícia deu vigor ao texto. Fiquei fã dele.
Marcos Martino: Dona Santina pra mim foi uma aula de amor. Eu sempre tive comigo que amar é cuidar. Quanto amor nesse banho...
Maria de Lourdes Camelo: Sabe, eu também tive inveja dela. Pobre de mim, nem chego a seus pés. Dona Santina é a amante perfeita.
Marcos Martino: Linda a história de Sr. José Ferreiro, artista obreiro que constrói coisas úteis, obras de arte e utilitárias com uma responsabilidade sacerdotal. Existiu tal pessoa?
Maria de Lourdes Camelo: Que eu me lembre, não. De repente, esse personagem surgiu, todo humano, moderador e paternal. Gostei dele e me fez bem.
Marcos Martino: Seu Canjica não deu bola pras assombrações e elas foram embora. Alvinópolis tinha muitos casos de assombrações.
Maria de Lourdes Camelo: Realmente, fui criada ouvindo essas histórias. Entendi, desde cedo, que o mundo era povoado por assombrações.E se eu não me controlar, até hoje, sou sobressaltada por esses medos.
Marcos Martino: Dona Alzira era uma super mulher, daquelas multi tarefas que dão conta de um monte de coisas e vão levando a vida, com pressa e ao mesmo tempo com poesia.Você também é um pouco de Dona Alzira, Maria de Lourdes?
Maria de Lourdes Camelo: Boa pergunta, Marcos. Acho que sou, sim. Mas ela é muito mais forte que eu. É pura e perfeita. Identifico-me, principalmente, com sua simplicidade. Seu ambiente , também, me fascina.
Marcos Martino: O caso de Dona Bila é de tensão no meio e alívio no final. Uma vida resignada pelo machismo da época, mas feliz na velhice. Nada como o tempo agindo, né?
Maria de Lourdes Camelo: É verdade. Mas a sublimação enobrece a alma. A serenidade é uma meta e só ela pode nos trazer a paz, principalmente na velhice, assim penso.
Marcos Martino: Maria Pingo D’Água foi o anjo pra fechar o livro, uma figura divinal. Vocês tomaram foi água benta na mina dela.
Maria de Lourdes Camelo: Bela colocação, Marcos! Está vendo como o leitor enriquece a obra? Eu não havia percebido que a água era benta. Você fechou o texto da forma mais sagrada, deu a ele o tom etéreo que faltava. Adorei! Chorei ao me despedir de Maria D’Água. Para mim, ela representa a pureza inalcançável, algo que me comove só em pensar. Vamos deixá-la feliz em seu universo . De minha parte, tenho um vislumbre de paz quando penso nela.
Marcos Martino: Maria de Lourdes, seu livro me fez chorar várias vezes. Creio que a boa escrita tem de causar...e você me causou... e me causa sempre. Agradeço muito e quero sempre ler suas coisas. Quando teremos novidades suas?
Maria de Lourdes Camelo: Marcos, eu é que agradeço pela oportunidade de falar um pouco sobre a obra e pela delicadeza de sua leitura, tão sensível e poética. Você engrandeceu meu trabalho e fez seu papel de Leitor Proficiente como sempre foi. Que “ Os Moradores da Rua da Ponte” nunca saiam de sua biblioteca. Lá eles estarão seguros e em boas mãos. Um afetuoso abraço.


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