sexta-feira, 18 de setembro de 2009

VÁRIOS NORTES

Não vivo num mundo à parte.

Transito por universos paralelos.

Sento-me com barões e com compadres

Tomo champagne e cachaça.

Converso sobre literatura e sobre futebol.

Tenho a mente faminta.

Cada universo tem suas leis

A legião que sou entra em curto

O poeta desaprova o publicitário

O matuto censura o nerd

O erudito odeia o popular

O pragmático ignora o romântico.

Os conflitos da humanidade

brigam em mim.

Minha bússola tem vários nortes

A ética é um caleidoscópio

Quem dera girá-lo e alcançar o branco

Da folha no cio, esperando o poema

Escrito com sangue azul da caneta

E sabe-se lá como classificá-los

Num confessionário, sem padre visível

Talvez pra São Freud, São Jung, São Cristo

No poço infinito do inconsciente

No poço infinito da mente de Deus.

Um comentário:

danilo disse...

caro,
todo poeta é um ser baRROCO: PENDE ENTRE CÉUS E INFERNOS, ENTRE ANJOS E DEMÔNIOS, entre santos vários, entre sentimentos desvaairados e procuras de paz... todos somos esses anjos tortos, estes anjos gauches do drummond. todos somos santos e devassos- se os nortes são vários vários também são os sentidos e infindáveis e incontáveis os labirintos interiores... e haja lucidez e loucura nessazs viagens...
abraços do
Danilo.